Inauguração do Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida

 

 

Cerca de 35 mil títulos e milhares de documentos para consulta

Inauguração do Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida

 

A Fundação Eugénio de Almeida inaugura hoje o Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida, espaço que reúne a documentação produzida e acumulada pelas várias gerações da família Eugénio de Almeida do final do séc. XVIII até à atualidade, e que constitui o testemunho das suas atividades nos domínios económico, social e político.

A abertura do Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida insere-se nas celebrações do cinquentenário da Fundação Eugénio de Almeida e do centenário do nascimento do seu fundador, Vasco Maria Eugénio de Almeida, e tem como principal objetivo dar a conhecer e abrir à consulta pública um acervo de informação que retrata os séc. XIX e XX em Portugal através do percurso da família, num total de cerca de 35.000 títulos na Biblioteca e milhares de documentos no Arquivo completando, no seu conjunto, 1115 metros lineares de documentação.

No que se refere à Biblioteca, embora predominem as obras dos séculos XIX e XX, uma parte significativa do acervo é constituída por livro antigo (publicações anteriores a 1800), merecendo particular destaque um incunábulo de 1498, obra rara que compila as cartas de privilégio concedidas à Ordem de Cister. É ainda possível encontrar títulos em áreas tão distintas como o Direito, a Filosofia, a História, a Política, a Educação e a Religião.

Detentora de uma das maiores fortunas em Portugal na segunda metade do século XIX, a família Eugénio de Almeida alicerçou uma parte do seu sucesso na implementação de um rigoroso sistema de informação graças ao qual se tornou possível assegurar não só a gestão da diversidade e volume de negócios em que os seus membros participaram, mas também a administração de um vasto património imobiliário, grande parte dele de natureza fundiária e disperso pela geografia do território nacional. A documentação através da qual esta administração se processava pode ser agora consultada no Arquivo da Família Eugénio de Almeida.

A documentação do arquivo permite igualmente testemunhar a obra filantrópica e mecenática desenvolvida por Vasco Maria Eugénio de Almeida, sobretudo entre 1940 e 1975. A intervenção na conservação e restauro do Convento da Cartuxa, do Palácio da Inquisição e do complexo de edifícios do Páteo de São Miguel, encontra-se registada em fotografias, memórias descritivas, recortes de imprensa e nos livros de receita e despesa da casa.

O arquivo integra também informação relativa à obra dos Salesianos em Évora, à construção do Hospital do Patrocínio e à cedência dos terrenos para a construção do Aeródromo de Évora ou de um bairro social na Horta das Figueiras. Estão igualmente registadas as ações levadas a cabo por Vasco Maria Eugénio de Almeida em Lisboa. De referir ainda que os livros de contabilidade do arquivo permitem também aferir o estilo de vida e outros traços do perfil da elite dos séculos XIX e XX, uma vez que registam com detalhe despesas com vestuário, mobiliário e artes decorativas, alimentação, viagens, empregados ou educação.

Desde 2010 a Fundação Eugénio de Almeida tem também à sua guarda o fundo bibliográfico do Instituto Económico e Social de Évora (ISESE), instituição impulsionada por Vasco Maria Eugénio de Almeida em articulação com a Companhia de Jesus, que representou o regresso dos estudos superiores à cidade, cerca de 200 anos após a extinção da Universidade de Évora.

À abertura do Arquivo e Biblioteca segue-se a conferência Os Arquivos da Família, Memória de Silêncios, proferida por Maria de Lurdes Rosa, Doutora em História Cultural e das Mentalidades Medievais, Professora Auxiliar do Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e membro do IEM (FCSH-UNL) e do CEHR (UCP).

A consulta ao Arquivo e Biblioteca, bem como as visitas guiadas, realizam-se mediante marcação prévia.

 

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