Programa de Conservação e Valorização

Casa de Fresco e Ermida de São Miguel

Paço de São Miguel
Ermida de São Miguel do Castelo
Casa de Fresco
Ermida de São Miguel do Castelo
Casa de Fresco
Ermida de São Miguel do Castelo

 

 

 

 

 

CONSERVAR E CONHECER

 
     
 

A Fundação Eugénio de Almeida tem em curso a intervenção de conservação da «Casa de Fresco do jardim do Paço de São Miguel» e da «Ermida de São Miguel», património que para além do seu inestimável valor histórico-artístico, é detentor de um enorme potencial de partilha e fruição que importa promover através da sua dinamização, aspeto fundamental com vista à criação de laços identitários com a comunidade que garantam no futuro a sustentabilidade da sua preservação.

O projeto, cofinanciado pelo Programa Alentejo 2020, constituirá, à semelhança de tantas outras intervenções levadas a efeito pela Fundação, uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre a dimensão histórica, simbólica e material deste património, na senda da obra realizada neste domínio pelo seu Instituidor, Vasco Maria Eugénio de Almeida.




Fachadas da Emida de São Miguel do Castelo (Fotografia de David Freitas,1958) e da Casa de Fresco, no Páteo de São Miguel (Fotografia de autor desconhecido, [post. 1957])


 

A CASA DE FRESCO

A Casa de Fresco ou Gruta afigura-se como «um lugar de relativa imutabilidade no efémero mundo do jardim – um lugar de repouso e de reunião, ou de solidão, reclusão e de sombra (…); um lugar de iluminação e inspiração poética; um porto para nascentes e fontes – a gruta é, acima de tudo, uma metáfora do cosmos».

Naomi Miller

 

Classificado em 1922 como Monumento Nacional, as origens do Paço de São Miguel, remontam à Idade Média, época em que foi pousada dos Reis de Portugal da 1.ª Dinastia quando a corte estava em Évora. O essencial da configuração com que chegou aos nossos dias resulta, no entanto, da sua reedificação no séc. XVI pela família dos Castro das 13 Arruelas, Condes de Basto, constituindo um exemplar da arquitetura palaciana do renascimento, aspeto reforçado pelo enquadramento paisagístico conferido pela presença do jardim ou «horto de recreio».

Reflexo da relação emotiva, estética e simbólica que o Homem tem estabelecido com a natureza ao longo dos tempos, este lugar intimista criado pela presença da vegetação e da água, constituía uma extensão da própria casa, propício à vivência da quietação e do ócio, cuja ambiência formada por jogos de luz e sombra estimulava.

Na segunda metade do século XVI, D. Diogo de Castro introduziu neste espaço um conjunto de elementos de forte dimensão cénica e visual, com destaque para a Casa de Fresco, decorada com embrechados, e para a fonte central da qual irradiam os caminhos enquadrados pelos canteiros. Uma «arquitetura» virada para o lazer, mas complementada pela presença utilitária e produtiva dos citrinos, das ervas aromáticas e medicinais, características do jardim mediterrânico que neste caso, ao encontrar-se localizado num dos pontos mais elevados da cidade, se funde, de relance, com a paisagem longínqua.

A ação agora em curso visa, precisamente, assegurar a preservação desta atmosfera onírica, através da intervenção de conservação da Casa de Fresco enquanto elemento arquitetónico, decorativo e funcional essencial à leitura e harmonização de todo o conjunto formado pelo jardim.

 

 

 

A ERMIDA DE
SÃO MIGUEL DO CASTELO

 

Proporcionar uma leitura integral do Paço de São Miguel e do conjunto edificado com que se articula é também uma das razões que se encontra na génese da intervenção a realizar na Ermida de São Miguel do Castelo, entendida como espaço funcional da residência, vocacionada para as celebrações litúrgicas ou para o retiro religioso e espiritual de quem habitava ou frequentava o Palácio.

No entanto, no caso da Ermida de São Miguel, a sua importância histórica e o seu significado patrimonial no contexto de Évora, encontram fundamentos mais remotos para a sua valorização desde logo porque, após a conquista da cidade aos mouros, este terá sido um dos primeiros espaços consagrado ao culto religioso cristão, fosse por via da ocupação de uma estrutura preexistente, fosse por intermédio da edificação de raiz de um novo templo para uso exclusivo dos Freires ou Cavaleiros de Évora.

De acordo com Túlio Espanca, a traça arquitetónica original do templo da época medieval perdeu-se em período indeterminado pelo que o edifício existente terá sido erguido no local do anterior no final do século XVII conservando, no entanto, elementos arquitetónicos gótico-manuelinos como é o caso da cobertura do presbitério datada de cerca de 1500, com destaque para as mísulas e ornatos cilíndricos, decorados com elementos naturalistas do manuelino regional e para a Cruz de Avis, esculpida na chave central da abóbada.

Em 1787 o templo encontrava-se muito arruinado, o que explica a intervenção de restauro patrocinada no século XIX pelos Marqueses de Valada, à época proprietários do conjunto edificado onde se integrava também o Paço de São Miguel. No entanto, o alcance desta intervenção não terá perdurado, já que há registo de em 1939 funcionar na ermida uma carpintaria, desativada nesta data, para reabertura do espaço ao culto no âmbito das comemorações da Fundação e Restauração de Portugal que iriam ter lugar.

As sucessivas intervenções de que foi objeto ao longo dos séculos, descaracterizaram de forma significativa a arquitetura do edifício, embora se possa identificar a predominância de características do período manuelino e maneirista o que, desde o ponto de vista cronológico e estilístico, contribuiu para uma integração harmoniosa no conjunto edificado onde se encontra o Paço de São Miguel.

Nesta perspetiva, a intervenção que agora se realiza permite a sua utilização com carácter regular, não só para o culto religioso, como até aqui, mas também para receber atividades de natureza cultural e social, promotoras do diálogo e de intercâmbios culturais nos mais diversos âmbitos, que se coadunem com as suas funções originais. 

 

VISITA GUIADA EM ESTALEIRO

10 agosto - 16h00

Inscreva-se aqui.

 

 
 

 

 

 
       

 

 

  

Partilhar conteúdo: