Projeto para um memorial

Oscar Muñoz

Oscar650_390Memorial_©Thierry Bal, 2008_Courtesy INIVA

 

 

A exposição individual tem como peça central a instalação Projeto para um memorial (2005), uma obra que aborda os processos de lembrança e esquecimento tanto em contextos históricos como individuais. A vídeo instalação de cinco canais regista o processo de construção de retratos de pessoas concretas ­– criados a partir de fotos encontradas em obituários, personificações da violência das grandes cidades ­–, mediante a pintura com água sobre uma pedra ao sol. Antes mesmo de terminado o retrato, os traços de água começam a desaparecer pelo efeito do calor e, simultaneamente, as outras mãos nos outros vídeos continuam a pintar outros retratos.
Num mundo de desaparecimentos constantes e da imagem como força de preservação, o trabalho de Muñoz revela-se como uma espécie de ativismo pelo quotidiano e suas políticas esféricas. A construção e a destruição permanente da memória constituem, assim, o tema central da obra.
Presença e ausência, assim como realidade e ficção são também objeto de análise da obra O olhar do Ciclope (2002). A série fotográfica problematiza as questões do retrato e da técnica de visualização: o dualismo entre imagens mentais (lembranças) e físicas (imagens materializadas).

 

Oscar Muñoz nasceu em Popayán, Colômbia e formou-se em 1971 na Escola de Belas Artes de Cal, onde continua a viver e trabalhar. Por mais de vinte anos, Muñoz tem produzido trabalhos que investigam a natureza da representação por meio de técnicas de impressão fotográfica e mecânicas pouco ortodoxas, bem como através de obras que empregam vídeo. Muitas vezes, essas imagens são criadas usando materiais inusitados e instáveis ​​como a respiração humana, água, luz, cera e pó como forma de chamar a atenção para a precariedade da vida humana, o narcisismo e altruísmo. Temas de grande profundidade conceptual são abordados de forma poética e metafórica.  

 

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