Da institucionalização do Santo Ofício: agentes, práticas e organização

XI Seminário Permanente sobre a Inquisição

© Fundação Eugénio de Almeida | Foto: Jerónimo Heitor Coelho

 

12 de dezembro | 15h00

Centro de Arte e Cultura - Sala do Tribunal

Entrada livre

Organização: Fernanda Olival e Leonor Dias Garcia (CIDEHUS - UÉ)

 

Neste ano de 2019, o Seminário Permanente sobre a Inquisição pretende refletir sobre o Santo Ofício a partir de uma perspetiva centrada no funcionamento e organização do tribunal. Estudar as práticas, os circuitos documentais e os agentes de cada tribunal é indispensável para o conhecimento da Inquisição, enquanto instituição que marcava a sociedade e a cultura portuguesa do Antigo Regime. Desta forma, o tema deste ano centrar-se-á nos agentes inquisitoriais e na estrutura organizativa do tribunal, conduzindo-nos a uma conversa sobre ministros, oficiais, carreiras e modus operandi do tribunal.

Dando continuidade à parceria com o CIDEHUS – Universidade de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida volta a acolher este encontro de académicos e investigadores, na perspetiva da promoção do conhecimento e da preservação da memória histórica do Palácio da Inquisição, em Évora.

 

PROGRAMA

15h00 – Apresentação

 

15h10 – As dinâmicas organizacionais dos quadros humanos da Inquisição de Lisboa (1537-1821)

Daniel Norte Giebels (CHSC – Universidade de Coimbra; CEHR – Universidade Católica Portuguesa)

Sinopse: Recente estudo sobre a Inquisição de Lisboa, para o século XVI, demonstrou como a organização interna dos tribunais inquisitoriais evidenciava, muitas vezes ao arrepio das imposições normativas, um contínuo esforço de adaptação, nem sempre bem-sucedido, aos diferentes desafios que se foram colocando ao seu funcionamento. A atividade repressiva poderia assim reclamar uma ampliação dos quadros humanos, como ser condicionada pela falta destes. A importância do entendimento das dinâmicas organizacionais para uma melhor compreensão sobre a atividade repressiva da Inquisição portuguesa leva-nos a estender o âmbito cronológico do anterior estudo sobre a Inquisição de Lisboa até ao ano da abolição da Inquisição portuguesa. Procurar-se-á, primeiramente, reconstituir a evolução da composição dos quadros humanos a partir do cruzamento de diversos documentos inquisitoriais, o seu impacto na mobilidade interna dos ministros e oficiais, e, em última análise, entender essas dinâmicas nas diferentes conjunturas.

Daniel Norte Giebels é doutorado em Altos Estudos em História pela Universidade de Coimbra, com a tese A Inquisição de Lisboa. No epicentro da dinâmica inquisitorial (1537-1579), recentemente publicada. Mestre em História Moderna pela mesma instituição e licenciado em Património Cultural pela Universidade do Algarve. Investigador do CHSC-UCP, onde integra o projeto ReligionAJE, e colaborador do CEHR-UCP, onde participa no projeto CONVEMOS. Participou ainda nos projetos CLIOHRES e Portugaliae Monumenta Misericordiarum, e desenvolveu estudos para a DGEMN e a Delegação Regional de Cultura do Algarve. Co-vencedor do 1º Prémio Nacional de Ensaio Histórico António Rosa Mendes em 2015. Dedica-se ao estudo da Inquisição e da Igreja no reino e no espaço do Império entre os séculos XVI e XVIII.

 

15h40 – Los pilares de la fe: secretarios y notarios de la Inquisición Española

Bárbara Santiago Medina (Universidad Complutense de Madrid)

Sinopse: A redação e a documentação foram, desde os primeiros momentos da história do Santo Ofício em Espanha, a chave para o seu sucesso como instituição, mas também a base de seu poder. E ambas não estavam nas mãos dos inquisidores supostamente todo-poderosos, mas de algumas pessoas que foram relegadas ao esquecimento pela historiografia e que foram as únicas que conheciam todas as complexidades do mecanismo inquisitorial. Refiro-me àqueles que escreveram os procedimentos, os interrogatórios das testemunhas, as sentenças... Os secretários e notários do Santo Ofício foram, em suma, os verdadeiros pilares da força inquisitorial e são os únicos que podem responder a muitas das perguntas que, hoje e à distância, perguntamos aos historiadores.

Bárbara Santiago Medina é doutorada em História pela Universidade Complutense de Madrid, e professora da mesma universidade no Departamento de História Americana e Medieval e Ciências Historiográficas. É especialista em Paleografia e Diplomática e dedicou o seu trabalho de pesquisa ao estudo da documentação e arquivos da Inquisição Espanhola, bem como à burocracia e funcionamento interno da instituição. Fez parte de vários projetos e grupos de pesquisa e participou como palestrante, conferencista e comunicadora em conferências e simpósios nacionais e internacionais, bem como em vários tipos de atividades científicas. É também autora de diferentes trabalhos focados nos seus campos de estudo, publicados em diferentes monografias e revistas.
É membro da Association Paléographique Internationale “Culture, Écriture, Société” (APICES), da Sociedad Española de Ciencias y Técnicas Historiográficas e vice-presidente da Asociación de Amigos del Archivo Histórico Nacional (Espanha).

 

16h10 – Debate

 

16h30 - Encerramento dos trabalhos

 

 

 

 

 

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