Mundo de Aventuras

João Fonte Santa

 

Abertura a 9 de julho de 2022
Curadoria de José Alberto Ferreira
Centro de Arte e Cultura, Piso 2

HORÁRIO
MAIO - SETEMBRO
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00

OUTUBRO - ABRIL
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-18h00

Entrada livre

 

João Fonte Santa é um dos artistas mais representativos da sua geração. O seu trabalho aborda a incessante multiplicação de instâncias produtoras de imagens, as modalidades da sua circulação na cultura de massas e a legibilidade ideológica desses processos de criação e difusão. No seu trabalho, Fonte Santa apropria-se habitualmente de imagens — da banda desenhada aos jornais, da pintura à fotografia, da iconografia popular ao cinema — a partir das quais interroga sentidos, filiações, sensibilidades e identidades. 

As imagens e os seus modos de circulação integram as formações discursivas que produzem narrativas de poder e de saber. Por elas tanto se mitificam identidades como se caucionam relatos históricos ou se hegemonizam discursos. É talvez por isso que elas são o campo privilegiado de questionação e de desafio, análise, desconstrução ou mesmo insubmissão por parte de muitos artistas. E é seguramente por isso que estes gestos de apropriação, transformação, re-significação e leitura instalam o ato de criação num território onde se cruzam crise e crítica, ética e estética, arte e sociedade. 

A exposição Mundo de Aventuras apresenta-se como um exercício de desmontagem de narrativas constituídas por imagens de dominação, no que Marie-José Mondzain caracteriza como «descolonização do imaginário». Num mundo fortemente dominado pela imagem e pela sua embaladora persuasão, o gesto de criação de (mais) imagens só pode recusar a lógica da acumulação e verter-se em analítica do imaginário, desafiando-nos a reler as narrativas que nos rodeiam à luz das suas e das nossas contradições. É este o mundo de aventuras que lhe propomos.

 

PROGRAMA INAUGURAL
Sábado, 9 de julho | 16h00
Alice Geirinhas e José Alberto Ferreira conversam com João Fonte Santa sobre a exposição, seguindo-se uma visita guiada
Entrada livre, limitada à lotação do espaço

 

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João Fonte Santa
Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade Clássica de Lisboa. Começou por se dedicar à produção de banda-desenhada underground no contexto do surgimento de fanzines. Lentamente, contudo, o seu trabalho afirmar-se-ia no campo da pintura. Trabalhando a partir de um extenso fundo de imagens e referências de cultura pop, edificaria uma obra que tem tanto de visualmente atraente como de pertinente no modo como apresenta uma visão do mundo particularmente crítica.  

Expõe regularmente desde meados dos anos 90. Das suas exposições individuais, destacam-se: 
Frozen Yougurt Potlash, Galeria VPF Cream Art, Lisboa;
O Aprendiz Preguiçoso, Festival Sonda, Atelier-Museu António Duarte, Caldas da Rainha;
Do Fotorrealismo à Abstração, Salão Olímpico, Porto.
Pintura Para Uma Nova Sociedade, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira;
TODOS OS DIAS A MESMA COISA – CARRO – TRABALHO – COMER – TRABALHO – CARRO – SOFÁ – TV – DORMIR – CARRO – TRABALHO – ATÉ QUANDO VAIS AGUENTAR? – UM EM CADA DEZ ENLOQUECE – UM EM CADA CINCO REBENTA!, Galeria VPF Cream Art, Lisboa;
O Colapso da Civilização, VPF Cream Art, Lisboa;
Bem-vindos à Cidade do Medo, MAAT, Lisboa

Algumas exposições coletivas:
Zaping Ecstazy, CAPC, Coimbra
Plan XX!, G-Mac, Glasgow
Terminal, Fundição de Oeiras, Oeiras
Gabinete Transnatural de Domingos Vandelli, Museu de História Natural da Universidade de Coimbra, Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Café Portugal
, Design Factory, Bratislava; FEA, Évora
Glocalização ou Colapso, Obras na Coleção MG, espaço Adães Bermudes, Alvito
Portugal Portugueses, Museu Afro-Brasil, São Paulo
Utopia/Dystopia, MAAT, Lisboa
Studiolo XXI, FEA, Évora
A Incontornável Tangibilidade do Livro ou o Anti-Livro, MNAC, Lisboa
Cosmo/Política #7, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira;

 

José Alberto Ferreira
Docente convidado da Universidade de Évora, onde leciona disciplinas da área da história e teoria do teatro. Tem colaboração dispersa em vários jornais e revistas, nacionais e internacionais.  Dirigiu e produziu o Festival Escrita na Paisagem (2004-2012), no âmbito do qual programou projetos e criações de artistas nacionais e internacionais na área do teatro e do transdisciplinar. Foi o curador português do projeto INTERsection: Intimacy and Spectacle, integrado na Quadrienal de Praga. Dirigiu e programa Ciclos de São Vicente, em Évora (2011-2017). É o Director Artístico do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida desde 2018. 

Publicou, além de textos dispersos por catálogos e revistas, Uma Discreta invençam (2004), sobre Gil Vicente, Por dar-nos perdão (2006), sobre teatro medieval, Da vida das Marionetas, sobre os Bonecos de Santo Aleixo (2015). Editor e coeditor de vários títulos, de que destaca Escrita na paisagem (2005), Autos, passos e Bailinhos (2007), Tradução, Dramaturgia, Encenação  (2014), Perpectivas da investigação e(m) artes: articulações (2016), Teatro do Vestido. Um dicionário (2018). Colabora com várias organizações ministrando cursos e seminários.

 

 

 

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