Ilhéus

Moira Forjaz

 

[PT]

A partir de 19 de setembro de 2020
Curadoria de Paola Rolletta
Centro de Arte e Cultura, Piso 0, Sala Rostrum

De terça-feira a domingo | 10h00-13h00 / 14h00-18h00
Entrada livre

Visitas guiadas mediante inscrição prévia (mín. 5 pessoas / máx. 10 pessoas).
Inscrições através do email servicoeducativo@fea.pt ou do telefone 266 748 350

 

Moira Forjaz exibe uma série de retratos fotográficos de habitantes da Ilha de Moçambique, cidade geminada com Évora desde 1997. A exposição convida-nos a um diálogo com essa distância, mediado pela cor e pela luz que dominam os retratos.

Moira Forjaz nasceu no Zimbabué, em 1942. Estudou Artes Gráficas na School of Arts and Design de Joanesburgo. Trabalhou como fotojornalista na África do Sul e, a partir de 1975, como realizadora e fotógrafa documental de artes em Moçambique. Vive na Ilha de Moçambique onde trabalha em conjunto com a comunidade local, em vários projetos sociais.

  

ILHÉUS

Paola Rolletta
Curadora

 

Os protagonistas são ilhéus idosos que deixaram entrar a fotógrafa na sua intimidade, contando as suas vidas na primeira pessoa. Provavelmente foi a primeira vez que alguém lhe pediu para falar de si, dos próprios sonhos, da vida que levaram e daquela que queriam ter levado. Das suas frustrações, das deceções e das suas satisfações. Da sua vida. 

Vestiram as roupas melhores, as mulheres da Ilha. As capulanas (panos) mais caprichadas, tiradas do baú para a ocasião. Há sempre uma capulana para qualquer ocasião… e falam tanto até que finalmente chega o click que as imortaliza e lhes rende a justiça de um anonimato forçado pela história.

Ilhéus é um projeto sobre a vida, sobre o facto que tudo está dentro de um único grande céu e todos têm direito a ter um nome. Não há nada de mais importante do que o nosso nome: é só com ele que existimos.

 

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MOIRA FORJAZ

Paola Rolletta 
Curadora 

 

Nem vinte anos tinha quando Moira Mathison (1942) quis sair do estreito enclave branco em Bulawayo, na ex-Rodésia, para abrir as asas e estudar arte. Eram os anos 60 e mudou-se para Joanesburgo. Com o dinheiro da venda de um casaco de pele - prenda do pai, Moira comprou a sua primeira máquina fotográfica, o talismã que a tem acompanhado ao longo de uma carreira marcada pela história de muitas revoluções. 

Os anos 60 foram anos de luta. Luta contra o colonialismo. Foram anos de engajamento total e grandes (e)utopias. E os primeiros encontros em Joanesburgo marcaram para sempre a vida de Moira. Hillary Hamburger, Joe Slovo, Ruth First, e David Goldblatt, o fotógrafo conhecido pelas fotos durante o apartheid. 

As detenções e o subsequente julgamento da liderança do ANC mudaram a história da África do Sul, tendo repercussões na história de Moira. 

Foi sobretudo em Moçambique - onde encontrou o seu futuro marido, o arquiteto José Forjaz - que Moira desenvolveu a sua habilidade, tornando-se uma das fotógrafas oficiais do Presidente Samora Machel. 

O engajamento político e social passou pela fotografia e pelo cinema, registando gentes, lutas, música, resgatando a vida com a sua miséria e a sua nobreza. 

A Samora Machel e a Ruth First (com quem colaborou em vários trabalhos de campo), Moira dedicou o livro fotográfico Moçambique de 1975 a 1985, (2015), a preto e branco, onde se cruzam vários aspetos da vida dos primeiros anos do novo país, numa profunda sinestesia entre fotos e textos. 

A beleza como dínamo para a justiça social, o comprometimento, o trabalho, são as marcas mais profundas da personalidade de Moira que, além de fotógrafa, foi cineasta (com Jean-Luc Godard), galerista (em Lisboa, nos anos 90), depois diretora de festivais de música em Portugal e em Moçambique. 

Em 2012, Moira decidiu ir viver para a Ilha de Moçambique. A Ilha é o seu grande amor, que conheceu em 1976. Às suas gentes dedicou o seu primeiro livro fotográfico Muipiti, a branco e preto, editado em 1983, onde se percebe a cumplicidade entre a beleza dos cenários e a vida da população plural, além dos testemunhos patrimoniais da primeira capital moçambicana. Uma seleção das provas da época e outros originais foram expostas, anos mais tarde, em Roma, na Livraria “Paesi Nuovi”, famosa por ter sido o local do encontro, em 1970, de três líderes africanos, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, antes da audiência com o Papa Paulo VI que lhes deu a encíclica Populorum Progressio. 

Em 2019, a bibliografia de Moira Forjaz enriquece-se com o livro Ilhéus, com fotos a cores, um desenvolvimento natural de Muipiti, focando-se nos ilhéus idosos. São imagens em que o rosto e o corpo se sobrepõem à História: ilhéus que a deixaram entrar na sua intimidade, contando as suas vidas na primeira pessoa. 

Algumas das fotos de Muipiti, juntamente com outras que constam de Ilhéus, foram expostas em Veneza, no Pavilhão de Moçambique, em 2019. 

O percurso fotográfico de Moira é uma caminhada constante para encontrar o significado mais recôndito da existência humana. Cada fotografia é como se fosse a sua pegada profunda e nítida, retratando seres numa união indissolúvel com a sua própria alma. 

E foi na Ilha que Moira deu um passo à frente com o digital: “Só uma Nikon, uma lente de 50, luz natural e empatia. Na Ilha, voltei a ser fotógrafa”.

 

Descarregue abaixo a brochura da exposição

 

 

 

[EN]

From september 19, 2020
Curator: Paola Rolletta
Centro de Arte e Cultura, Floor 0, Sala Rostrum

From Tuesday to Sunday | 10h00-13h00 / 14h00-18h00
Free admission

  

Moira Forjaz is showing a series of photographic portraits of the inhabitants of the Island of Mozambique, a sister city with Évora since 1997. The exhibit invites us into a dialogue with that distance mediated by the color and by the light that dominate the portraits.

Moira Forjaz was born in Zimbabwe, in 1942. She studied Graphic Arts in Johannesburg’s School of Art and Design. She worked as a photojournalist in South Africa and, starting in 1975, as a documentary director and photographer of the arts of Mozambique. She lives in the Island of Mozambique where she works together with the local community in various social projects. 

 

 

ISLANDERS

Paola Rolletta
Curator

 

The protagonists are elderly islanders that have allowed the photographer to come into their intimacy, telling their lives in the first person. It was probably the first time someone asked them to talk about themselves, their dreams, the life they lived and the life they wished they could have lived. Their frustrations, their disappointments and their satisfactions. Their lives. 

The women of the Island wore their best clothes. Their most extravagant capulanas (cloth), taken from their trunks just for that occasion. There is a capulana for every occasion… and they talk at length until the arrival of the click that immortalize and grants them justice from an anonymity forced by history. 

Islanders is a project about life, about the fact that everything is under a single great sky and everyone has the right to a name. There is nothing more important than our names: it is with it alone that we exist. 

 

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MOIRA FORJAZ

Paola Rolletta
Curator 

 

Moira Mathison (1942) wasn’t even twenty years old when she wanted to leave from the small white enclave of Bulawayo, in ex-Rhodesia, to spread her wings and study art. It was the 60’s and she moved to Johannesburg. With the money made from selling a fur coat – a gift from her father, Moira bought her first camera, the talisman that has been with her throughout a career marked by the history of many revolutions. 

The 60’s were years of conflict. Fight against colonialism. Years of total social engagement and great (e)utopias. And the first encounters in Johannesburg forever marked Moira’s life. With Hillary Hamburger, Joe Slovo, Ruth First, and David Goldblatt, the photographer known for their pictures during apartheid. 

The arrests and subsequent trial of the ANC leadership changed South Africa’s history and had repercussions in Moira’s story. 

It was mainly in Mozambique – where she found her future husband, the architect José Forjaz – that Moira developed her skills, becoming of the official photographers of the President Samora Machel. 

The political and social engagement moved through photograph and cinema, registering people, fights, music, preserving life with its misery and nobility. 

She dedicated her photographic book, Mozambique from 1975 to 1985, (2015), to Samora Machel and Ruth First (with whom she collaborated in several field works), a book in black and white, where several aspects of life regarding the first years of a new country crisscross in a deep synesthesia between photo and text. 

Beauty as a dynamo for social justice, commitment and work are deep imprints of Moira’s personality that, in addition to being a photographer, was also a film-maker (with Jean-Luc Godard), gallery owner (in Lisbon in the 90’s) and then a musical festival director in Portugal and Mozambique. 

In 2012 Moira decided to live in the Island of Mozambique. The Island is her greatest love, found in 1976. She dedicated her fist black and white photograph book, Muipiti, edited in 1983, to its people where we can perceive the complicity between the beauty of the scenery and the life of the people, as well as the patrimonial testaments of the first capital of Mozambique. A selection of the prints of the time and other originals were exhibited, years later, in Rome, in the “Paesi Nuovi” Bookstore, famous for being the place where, in 1970, three African leaders, Amílcar Cabral, Agostinho Neto and Marcelino dos Santos, met before the audience with the Pope, Paul VI, where they were granted the Populorum Progressio encyclical document. 

In 2019 Moira Forjaz’s bibliography is enriched with the publication of Islanders, a natural progression from Muipiti, composed with color photos focusing on the elderly islanders. They are pictures where face and body overcome History: islanders that have allowed her into their intimacy, telling their stories firsthand. 

Some of Muipiti’s photos, along with others featured in Islanders, were exhibited in Venice, at the Mozambique Pavilion in 2019. 

Moira’s photographic career is a constant progression to find the meaning of the deepest and most hidden aspects of human existence. Each picture bears a deep and clear imprint of her, portraying beings in an indissoluble union with their own soul. 

And it was in the Island that Moira took a stride towards the digital: “Just a Nikon, a 50 lenses, natural light and empathy. In the Island I once again became a photographer”. 

 

Download below the exhibition's brochure

 

 

 

 

 

 

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