Strata

Deanna Sirlin

© Fundação Eugénio de Almeida

 

[PT]

A partir de 6 de junho de 2020
Curadoria de José Alberto Ferreira
Centro de Arte e Cultura, Piso 1

De terça-feira a domingo | 10h00-13h00 / 14h00-19h00
Entrada livre

Visitas guiadas mediante inscrição prévia (mín. 5 pessoas / máx. 10 pessoas).
Inscrições através do email servicoeducativo@fea.pt ou do telefone 266 748 350

 

 

STRATA 

1. O que vem antes, o que vem depois
Se pudéssemos operar um corte vertical numa dada porção de terreno, conseguiríamos observar as sucessivas camadas de sedimentos que, sobrepondo-se ao longo dos tempos, materializam a própria ideia de História. Quando o dinamarquês Nicolaus Steno (1638-1686) o verificou pela primeira vez, no já distante século XVII, enunciava um princípio de ordem ancestral segundo o qual as mais profundas camadas de strata [no plural em latim, estratos], correspondiam ao que de mais antigo ali se encontrasse depositado. A História faz crescer a crosta terrestre, indexando por acumulação o passar do tempo e as ações dos seres humanos e da natureza. 


2. Cidade-Strata
Nicolaus Steno fez a sua descoberta em Roma, acrescentando-lhe assim uma existência vertical profunda. E talvez todas as cidades tenham um pouco de Roma. Évora, definitivamente, é uma cidade-strata, assente em camadas múltiplas de estratos culturais, sociais e políticos. Sem sequer descermos às profundezas geológicas, encontramos na sua compósita monumentalidade, as linhas verticais aflorando a fina linha horizontal do presente. Podíamos pensar num passado que teima em não desaparecer segundo a ordem natural das coisas. Mais certo, porém, é vivermos um presente que não deixa desaparecer o passado, navegando teimosamente as rotas do património e da história.
 

3. Cores
Deanna Sirlin captou a profundidade axial da cidade com o seu primordial material de criação: a cor. A artista narrou já, em várias ocasiões, a marcante experiência física da cor logo desde a sua infância novaiorquina, uma fisicalidade que preside, até hoje, aos seus trabalhos de pintura e criação mixed-media. As suas composições digitais impressas ostentam a cor em combinatórias que resultam de processos de acumulação e sobreposição, de deslocação e justaposição, de experimentação livre e vetorização axial. As linhas de cor, recorrentes no seu trabalho, distribuem-se em camadas horizontais e verticais, correspondendo à modelização arqueológica da cidade-strata. Uma estratificação cromática que convoca o visitante para a história da cidade e, em especial, para a história do edifício do Antigo Palácio da Inquisição, com o qual dialoga em primeira instância.
 

4. Vitral Contemporâneo
Strata pode assim ler-se como um imenso vitral contemporâneo. Sem recorrer ao figurativo, é a configuração histórica dos tempos da cidade que assim se materializa. É a história que, com a cor distribuída em geometrias abstratas e formais, se espraia pelas paredes das galerias do primeiro andar ao sabor da luz do dia, e se verte para o exterior durante a noite, ampliando a fruição da obra e as interrogações que ela lança sobre a cidade.

5. Ambiente Imersivo
Strata instala nas salas do primeiro piso uma densidade cromática que contrasta com a presença de duas pinturas a óleo de pequena dimensão — Holding e After (ambas de 2020, criadas para a exposição). Esta tensão permite identificar, em rigor, o ato de observação do visitante, convidando-o a estabelecer uma ligação entre o espaço pictórico e o espaço real, contíguo, interior e exterior. Tal como uma variação transitiva na pintura clássica, a imersividade coloca o observador dentro do espaço pictórico expandido, num mergulho cromático com a cidade ao fundo. E ela lá está, esperando o nosso olhar…

 

 

BIOGRAFIA

Deanna Sirlin nasceu em Brooklyn, Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, e é atualmente Artista Residente da cidade de Alpharetta, na Geórgia. Mestre em Pintura pelo Queens College, CUNY e licenciada em Arte pelo SUNY Albany, Sirlin recebeu inúmeras distinções, incluindo uma Rothko Foundation Symposium Residency, concedida pelo Departamento de Estado dos EUA, uma residência da Yaddo Foundation e um Prémio da Creative Capital Warhol Foundation através do seu programa de Art Writing Mentorship Program. Sirlin teve exposições individuais no The High Museum of Art, em Atlanta; no Ca 'Foscari Venezia, em Veneza; no The Centre for Recent Drawing, em Londres; Atlanta Contemporary Arts Center; e M55art em Nova Iorque. O seu trabalho foi encomendado para exposições no The New Orleans Museum of Art e no The Georgia Museum of Art, e é regularmente referenciado em meios de comunicação internacionais.

 

Conheça AQUI o programa de visitas guiadas à exposição com o Diretor Artístico do Centro de Arte e Cultura, José Alberto Ferreira. 

Descarregue abaixo a brochura da exposição

 

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[EN]

From june 6, 2020
Curator: José Alberto Ferreira
Centro de Arte e Cultura, Floor 1

From Tuesday to Sunday | 10h00-13h00 / 14h00-19h00
Free admission

 

STRATA

1. What comes before, what comes after
If we could enact a vertical cut through a portion of terrain, we would be able to observe the successive layers of sediment that, overlapping through the ages, materialize the very idea of History. When the Danish-born Nicolaus Steno (1638-1686) first saw it, in the now distant XVII century, he stated a principle of ancestral order under which the deepest layers of the strata [in the Latin plural] corresponded to the most ancient of whatever was deposited there. History makes the earth’s crust grow, indexing through accretion the passage of time and the actions of human beings and nature.


2. Strata-City
Nicolaus Steno made his discovery in Rome and, in doing so, added to its existence a vertical depth. And maybe all cities have a bit of Rome in them. Évora is definitely a strata-city, seated upon multiple layers of cultural, social and political strata. Even without descending into its geological depths we find, in its monumental amalgamation, the vertical lines interacting with the thin horizontal lines of the here and now. We could think of a past that stubbornly refuses to vanish, not following the natural order of things. Or, perhaps more accurately, we live in an era that will not allow the past to fade, tenaciously cruising the routes of heritage and history.

3. Colours
Deanna Sirlin captured the axial depth of the city with a primordial material of creation: colour. The artist has, on several occasions, narrated the indelible physical experience of colour stemming from her New York childhood, a physicality that governs her painting and mixed-media works to this day. Her printed digital compositions boast colour in combinations that result from a process of accumulation and overlapping, displacement and juxtaposition, free experimentation and axial vectorization. The lines of colour, a recurring element of her work, distributed in horizontal and vertical layers, correlate to the archaeological modeling of the strata-city. There's a sense of chromatic stratification that invites the visitor into the history of the city and, in particular, into the history of the building, the old Palace of the Inquisition with which it primarily interacts.

4. Contemporary Stained Glass
Strata can, thusly, be perceived as an immense contemporary stained glass. Without resorting to figurative language, it is the materialization of the city’s ages and historical configuration. It’s the history that, through colour sorted into abstract and formal geometries, spreads through the walls of the first-floor galleries, under the whims of daylight, and pours into the outside during the night, enhancing the enjoyment of the artwork and the queries it casts on the city.


5. Immersive Ambience
Strata sets a chromatic intensity in the rooms of the first floor that contrasts with the two small oil paintings – Holding and After (both made in 2020 for the exhibition). Strictly speaking, this tension allows for the identification of the observation act, as an invitation for the visitor to create a connection between the pictorial and real spaces, interior and exterior. Like a transitive variation in classical painting, the immersion places the beholder inside the expanded pictorial space, in a chromatic dive with the city in the background. And there it is, waiting for our gaze…

 

 

SHORT BIO

Deanna Sirlin was born in Brooklyn, New York, USA and is currently Artist in Residence for the City of Alpharetta, Georgia. Sirlin received an MFA degree in Painting from Queens College, CUNY and a BA in Art from SUNY Albany. She has received numerous honors, including a Rothko Foundation Symposium Residency, a grant from the United States Department of State, a Yaddo Foundation Residency, and a Creative Capital Warhol Foundation Award for its Art Writing Mentorship Program. She has been Artist in Residence at the Padies Foundation, Lempaut, France, and for the City of Nuremberg, Germany. Sirlin has had solo exhibitions at The High Museum of Art, Atlanta; Ca’ Foscari Venezia, Venice, Italy; The Centre for Recent Drawing, London, UK; Atlanta Contemporary Arts Center; and M55art in NYC. Her work has been commissioned for exhibitions at The New Orleans Museum of Art and The Georgia Museum of Art, and has been written about in the international press.

 

Download below the exhibition's brochure

 

 

 

 

 

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