arquivo & biblioteca

Biblioteca Eugénio de Almeida
Ex-líbris da Biblioteca (séc. XIX)
Vasco Maria Eugénio de Almeida (1922)
Projeto de uma ponte sobre o Tejo (1889)
Projeto de uma residência (1870)
Manifestação de agradecimento (1957)
Aqueduto da Água da Prata (séc. XIX)
Pormenor de um postal (1908)
Grupo em estância de férias

ENGLISH VERSION

 

 

Pormenor do relógio do século XIX cedido pelo Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida para a Exposição de Artes Decorativas patente ao público no Palácio de D. Manuel durante a Feira de São João de 1960. O relógio encontra-se atualmente no Paço de São Miguel, em Évora. © Fotografia Rui Carreteiro / Fundação Eugénio de Almeida, 2022

 
 

 

Memórias da Feira de São João
RC | 2022-06-20

 
     
 

Localizado próximo do Rossio de São Brás, o Palácio de D. Manuel, recentemente objeto de requalificação, acolheu ao longo do tempo inúmeras iniciativas integradas no programa da Feira de São João. Em junho de 1960, a Comissão Municipal de Turismo inaugurou aqui uma exposição temporária sobre artes decorativas dos séculos XVI a XIX. Nas Palavras de Abertura do catálogo, Francisco José Gutierrez Caeiro recordou que a nova exposição surgia no seguimento de anteriores dedicadas à Escultura Religiosa (1954), à Cerâmica Europeia e Oriental (1956), à Ourivesaria Antiga (1957) e à Pintura Europeia (1958), todas elas com a particularidade de contarem com peças cedidas, a título de empréstimo, por «colecionadores e particulares eborenses». Esta circunstância levava-o a considerar não ser exagerado «declarar-se que, nas residências de Évora, existem peças que poderiam ser o orgulho dos grandes museus nacionais»[1].

Por seu lado, Túlio Espanca, na Introdução do catálogo, sublinhava a circunstância de que «raras cidades do país se podem dar ao luxo de realizarem, com a periodicidade com que Évora o tem feito nos últimos anos, exposições de Arte Antiga com a singularidade, beleza e elevado sentido estético-cultural como as que a população do Sul tem tido o prazer de presenciar nas magníficas salas do Palácio de D. Manuel»[2].



 

A 1.ª exposição temporária deste ciclo, realizada no Palácio de D. Manuel, teve lugar em dezembro de 1954. As seguintes, incluindo a de 1960, integrariam o programa da Feira de São João. Imagens da capa de exemplares de dois dos catálogos, existentes no Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida.

 

Tal como sucedera anteriormente, o Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida, logo que contactado, manifestou total disponibilidade para colaborar com a iniciativa. Nesta ocasião, e conforme consta do catálogo, cedeu três tapeçarias flamengas, da 2.ª metade do século XVII, alusivas à vida do Imperador Marco Aurélio, e um relógio de sala, do século XIX, assinado por Abraham Jackson, de Liverpool.

Cerca de um mês antes da inauguração, a imprensa local informava que «em ritmo acelerado, continuam os trabalhos de catalogação e seleção das peças artísticas antigas destinadas a ilustrarem a notável Exposição que os serviços culturais da Comissão Municipal de Turismo vão levar a efeito (…) na histórica Galeria das Damas, durante a Feira de São João». No mesmo artigo, publicado pelo Notícias d’Évora, fazia-se saber que um dos «núcleos» que «dignificará o majestoso ambiente dos Paços Reais» se ficava a dever «à generosidade dos Condes de Vill’Alva que cederam os panos bruxelenses, seiscentistas, da História do Imperador Marco Aurélio»[3].

 

Imagem de uma das tapeçarias cedidas pelo Eng.º Vasco Maria Eugénio de Almeida para a Exposição de Artes Decorativas de 1960, atualmente exposta no Paço de São Miguel, em Évora. Tapeçaria flamenga do século XVII, tecida, muito provavelmente, por Michel Wauters (1648-1679), em Antuérpia. Terá sido inspirada na obra Libro Áureo de Marco Aurélio, Emperador eloquentisimo orador, da autoria do espanhol António de Guevara (1480-1545)[4]. © Fotografia Rui Carreteiro / Fundação Eugénio de Almeida, 2022.

 

Para além das artes decorativas, foram também expostas diversas carruagens que, segundo o próprio Francisco Gutierrez Caeiro, «pela primeira vez figuram numa exposição desta ordem», acrescentando que «existem, ainda, muitas outras espalhadas pelo nosso Alentejo, umas carinhosamente conservadas e, muitas outras mais, esquecidas e abandonadas». Interrogava-se, por isso, se «não seria oportuna a criação em Évora de um Museu de Carruagens Antigas?». Parecia-lhe que sim, mas reconhecia que «falta o edifício; faltam também à Comissão Municipal de Turismo os meios materiais para obra de tão grande envergadura». Tinha, no entanto, a convicção que «aparecerá certamente a boa vontade particular e oficial que apoie e contribua financeiramente para a valorização do património da cidade»[5].

 

 

NOTAS
_________________________

[1] Exposição de Artes Decorativas (séculos XVI-XIX): catálogo: Comissão Municipal de Turismo, 1960. p. 3.

[2] Ibidem, p. 8.

[3] Exposição de Artes Decorativas no Palácio de D. Manuel. Notícias de Évora. N.º 17963 (1960-05-26). p. 2.

[4] Maria José Mendonça - Inventário de tapeçarias existentes em museus e Palácios Nacionais. Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1983. p 26-30.

[5] Exposição de Artes Decorativas (séculos XVI-XIX)..., op. cit.,p. 2-3

 
 

 

 
   

 

 

O ARQUIVO

Detentora de uma das maiores fortunas em Portugal na segunda metade do século XIX, a família do Instituidor da Fundação Eugénio de Almeida alicerçou uma parte do seu sucesso na implementação de um rigoroso sistema de informação graças ao qual foi possível assegurar ao longo de cinco gerações não só a gestão da diversidade e volume de negócios em que os seus membros participaram, mas também a administração de um vasto património imobiliário, grande parte dele fundiário e disperso pelo país. 

Mantida na sua íntegra, a documentação do arquivo permite hoje reconstituir o percurso ascensional de uma família burguesa no Portugal de oitocentos, evidenciando não só as que foram as suas opções ao nível das atividades económicas, mas também a intervenção pública que os seus membros protagonizaram como deputados, Pares do Reino, Conselheiros de Estado ou Provedores da Casa Pia de Lisboa, para além de abrir uma janela para o universo quotidiano das vivências familiares e do estilo de vida da elite deste período. 

Refletindo as atividades e a história da família Eugénio de Almeida desde o final do século XVIII até à atualidade, o âmbito cronológico do arquivo remonta, no entanto, ao século XIV como resultado da incorporação de documentação, em especial títulos de propriedade, provenientes dos cartórios de Casas Senhoriais a quem ao longo da segunda metade do século XIX foram adquiridos bens de raiz que contribuíram para a construção do “império” Eugénio de Almeida.

A documentação do arquivo permite igualmente testemunhar a obra filantrópica e mecenática desenvolvida pelo Instituidor da Fundação, Vasco Maria Eugénio de Almeida (1913-1975) sobretudo entre 1940 e 1975. Desde logo as ações empreendidas ao nível da salvaguarda do património arquitetónico, como foram os casos do Convento da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli, do antigo Palácio da Inquisição ou do complexo de edifícios do Páteo de São Miguel, edifícios que resgatou da ruína e aos quais conferiu um novo sentido no contexto do desenvolvimento cultural e social da cidade de Évora. 

No arquivo encontra-se também o registo da intervenção de Vasco Maria Eugénio de Almeida nos domínios social, educativo e espiritual, em que se destaca o avultado donativo para a construção do Hospital do Patrocínio (1957), a cedência de terrenos para a construção do Aeródromo de Évora e de bairros sociais, a partição da Herdade do Álamo da Horta pelos trabalhadores assalariados da povoação de São Manços (1958) ou a reativação do Convento da Cartuxa (1960), para além, naturalmente, da criação da Fundação Eugénio de Almeida em 1963. 

Pela natureza da documentação reunida no Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida, a consulta do acervo reveste-se de particular interesse para a realização de investigações em domínios tão variados da história do país como a história económica e empresarial, a história social e das elites, a história da agricultura, ou ainda a história da arte e do ensino, entre outros.

 

 

 




 

 

 


A BIBLIOTECA

No sistema de informação da Casa Eugénio de Almeida a biblioteca ocupava um lugar central. Expressão da natureza pragmática de uma família de empreendedores como foram os Eugénio de Almeida, este fundo bibliográfico reveste-se de um caráter instrumental no sentido em que constitui um repositório de conhecimento e de informação sistematicamente consultada quer para instruir as tomadas de decisão, quer para servir de apoio ao estudo de temáticas associadas às suas atividades económicas ou à intervenção pública que protagonizaram. 

Uma prova da importância da biblioteca enquanto fonte de informação e de conhecimento foi a contratação, na década de 1860, de Francisco Casassa, funcionário da Biblioteca Nacional, para proceder à organização e catalogação dos milhares de obras que constituíam o acervo reunido por José Maria Eugénio de Almeida. O resultado do encargo foi a produção de um Cathalogo Methodico que passou a constituir uma ferramenta de pesquisa essencial para assegurar o acesso rápido às obras ou à informação que era necessário consultar. 

Entre as obras mencionadas neste instrumento de pesquisa, a mais antiga foi impressa em 1498 e compila todas as cartas de privilégio papais concedidas à Ordem de Cister. No entanto, a grande maioria do fundo bibliográfico da família Eugénio de Almeida é composta por livro antigo e por obras publicadas nos séculos XIX e XX nas mais diversas áreas de conhecimento - Ciências eclesiásticas, Ciências morais e políticas, Direito, Ciências naturais e exatas, Belas-artes, artes e ofícios, Literatura, História, Agricultura, Educação, etc.   

Para além desta documentação, bem como da entretanto produzida e acumulada pela Fundação desde a sua criação em 1963, o Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida tem também à sua guarda a antiga biblioteca do Instituto Superior Economico e Social de Évora (ISESE), estabelecimento de ensino criado por Vasco Maria Eugénio de Almeida em articulação com a Companhia de Jesus, que representou o regresso dos estudos superiores à cidade, cerca de 200 anos após a extinção da Universidade de Évora.

 

 

Horário 

Consulta de documentação: de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h30 e das 14 às 17h30, mediante marcação prévia. Visitas guiadas mediante marcação prévia, integradas na visita ao Paço de São Miguel. 

 

Coordenadas

38.572578º, -7.905894º

 

Contactos

arquivo.biblioteca@fea.pt

Tel. (+351) 266 748 300

 



1867

Cathalogo Methodico da Livraria do Illmo. e Exmo. Snr. Conselheiro José Maria Eugénio de Almeida, elaborado pelo bibliotecário da então designada Biblioteca Nacional de Lisboa, Francisco Casassa

   

 

 

 

  

        

Partilhar conteúdo: