Territórios invulgares
Ciclo de conversas
O ciclo de conversas Territórios Invulgares, com curadoria e moderação de Patrícia Reis, regressa em 2026 ao Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida para uma segunda edição que propõe inscrever a arte e a cultura num campo mais alargado de reflexão, atento às problemáticas da contemporaneidade.
Partindo sempre de um lugar — seja ele o da historiadora, da neurocientista, da escritora e compositora, ou da atriz e realizadora —, estas conversas desafiam diferentes formas de olhar e pensar o mundo.
Ao longo de quatro encontros, sem guião fixo, propõe-se uma conversa fluida e aberta, onde múltiplas perspetivas se cruzam e se confrontam. O público é convidado a intervir, tornando estes diálogos verdadeiros territórios partilhados de pensamento e experiência.
Venha pensar e debater connosco!
21 de fevereiro
Irene Flunser Pimentel
Para a primeira conversa, a convidada é Irene Pimentel, historiadora distinguida com o Prémio Pessoa, que tem dedicado grande parte do seu trabalho ao estudo da PIDE e dos mecanismos de funcionamento das polícias políticas. A partir da sua experiência de vida antes e depois do 25 de Abril, esta conversa propõe uma reflexão sobre memória, poder e democracia, num tempo em que os seus fundamentos voltam a ser postos à prova.
IRENE FLUNSER PIMENTEL
Mestre em História Contemporânea (Século XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Investigadora do Instituto de História Contemporânea (FCSH da UNL), autora de História das Organizações Femininas do Estado Novo (2000, Prémio Carolina Michaëlis em 1999), de Judeus em Portugal durante a Segunda Guerra Mundial. Em Fuga de Hitler e do Holocausto (2006, Prémio ex-aequo Adérito Sedas Nunes, atribuído pelo Instituto de Ciências Sociais em 2007), de A História da PIDE (2007, Prémio Especial Máxima em 2008), de Tribunais Políticos. Tribunais Militares Especiais e Tribunais Plenários durante a Ditadura e o Estado Novo, em coautoria com Fernando Rosas, João Madeira, Luís Farinha e Maria Inácia Rezola (2009), de A cada um o seu lugar (2011, Prémio Ensaio 2012 da Máxima), de O Caso da PIDE/DGS (2017), de Holocausto (2020, vencedor do Prémio Fundação Calouste Gulbenkian, na categoria «História da Europa», em 2021) e de Informadores da Pide – Uma Tragédia Portuguesa (2022). Distinguida com o Prémio Pessoa, em 2007, e com o Prémio Seeds of Science, na categoria «Ciências Sociais e Humanas», em 2009, e condecorada com a Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Governo de França, em 2015.
29 de março
Luísa Sobral
Outro território invulgar será explorado na conversa com a compositora, cantora e escritora Luísa Sobral. A sua participação neste ciclo parte da arte como forma de olhar o mundo e interrogar o lugar da criação no exercício da cidadania, entre responsabilidade, liberdade e intervenção cívica.
LUÍSA SOBRAL
É uma das cantautoras mais importantes no panorama musical português, tendo lançado vários álbuns em nome próprio: The Cherry on My Cake (2011), There’s A Flower In My Bedroom (2013), Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa (2014), Luísa (2016), Rosa (2018), Camomila (2021) e DanSando (2022). Em, 2020 estreia o podcast «O Avesso da Canção», no qual conversa com grandes nomes da música portuguesa sobre a arte da escrita de canções. A sua faceta de compositora vai-se destacando ao longo dos anos, chegando a compor para artistas como Ana Moura, António Zambujo, Gisela João, Sara Correia, Mayra Andrade, entre muitos outros. Em 2017, assina «Amar Pelos Dois», que entrega ao irmão Salvador Sobral para interpretar, levando Portugal a conquistar a sua primeira vitória de sempre na Eurovisão. Enquanto produtora, colaborou com artistas como Elisa Rodrigues, Joana Alegre, Luís Trigacheiro ou Rogério Charraz. Luísa Sobral publica em 2022 e 2024 os livros infantis Quando a Porta Fica Aberta e O Peso das Palavras e, finalmente, em 2025 lança o seu primeiro romance, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé.
11 de abril
Luísa Vaqueiro Lopes
No dia 11 de abril, iremos ao encontro de Luísa V. Lopes, neurocientista e coordenadora de um grupo de investigação no Instituto de Medicina Molecular, que tem estudado a relação entre emoções, comportamento e atividade cerebral. Este território invulgar servirá de ponto de partida para uma conversa sobre amor, perceção e ciência, cruzando conhecimento científico e experiência humana.
LUÍSA VAQUEIRO LOPES
É neurocientista e coordenadora de um grupo de investigação no GIMM – Instituto Gulbenkian de Medicina Molecular, sendo também investigadora na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Licenciada em Bioquímica e doutorada em Neurociências pela mesma Universidade, realizou investigação na Universidade de Cambridge e no Instituto Karolinska. Em 2003, integrou o Centro de Investigação da Nestlé, na Suíça, regressando a Lisboa em 2008 para criar a sua própria equipa. Conquistou posições de Investigador FCT em 2013, 2018 e 2022. A sua investigação incide sobre os mecanismos sinápticos do envelhecimento, a memória, os défices cognitivos e a neurodegeneração. Publicou mais de 60 artigos e capítulos em revistas internacionais de referência e orientou nove doutorandos. É membro ativo de várias sociedades científicas, integrou a Direção da Sociedade Portuguesa de Neurociências e, atualmente, faz parte do Conselho Científico e coordena o Mestrado em Investigação Biomédica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, coordenando ainda a Rede Saúde desta Academia. Recebeu diveros prémios científicos nacionais e internacionais, e obteve a Agregação em Neurociências em 2021. Desde 2013, dedica-se também à divulgação científica nos media e, em 2025, publicou o livro Programados para Amar, sobre as bases neurobiológicas do amor romântico.
17 de maio
Ana Rocha de Sousa
A última convidada é a atriz e realizadora Ana Rocha de Sousa. Movendo-se entre o cinema de ficção e o documentário, explora narrativas que interrogam o lugar das mulheres e as formas de representação da realidade. Nesta conversa, que irá decorrer no dia 17 de maio, os territórios invulgares irão surgir a partir do olhar cinematográfico sobre a experiência feminina em Portugal e noutros contextos culturais.
ANA ROCHA DE SOUSA
Ana Rocha de Sousa, é uma realizadora Portuguesa multipremiada. É licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, e fez o mestrado em Realização na aclamada London Film School. Iniciou o percurso profissional como atriz ainda jovem, mas ao longo do tempo acabou por passar para trás das câmaras. A sua longa-metragem de estreia LISTEN, inspirada por casos reais, estreou no 77º Festival Internacional de Veneza, tendo vencido múltiplos prémios, entre eles o Leão Especial do Júri Orizzonti, o Leão do Futuro, e um Bisato d’oro para melhor filme atribuído pela crítica independente. LISTEN estreou pelo mundo competindo em festivais de referência e foi distinguido com mais de 30 prémios, nacionais e internacionais. O trabalho de Ana Rocha de Sousa resulta de um percurso multidisciplinar, incluindo instalações artísticas, fotografia, cenografia, design de interiores, pintura, desenho e escrita. Ana está a finalizar duas próximas longas-metragens com estreia marcada para 2026: uma longa-metragem de ficção, ASAS, e uma longa-metragem documental, IN THIS ROOM, CARMINHO.
PATRÍCIA REIS (Lisboa, 1970)
Estudou História e História de Arte, e tem um mestrado em Ciência das Religiões. Começou a sua carreira jornalística em 1988, no semanário O Independente, tendo trabalhado posteriormente no Expresso,Público,MarieClaire,Elle,RDP e RTP. Realizou um estágio na revista norte-americana Time, em Nova Iorque. Trabalhou em produção de programas de televisão e foi coautora de um programa de rádio sobre Literatura. Editora da multipremiada revista Egoísta, tem feito a curadoria da publicação desde o seu lançamento, em 2000. É coapresentadora do podcast Um Género de Conversa. Publicou vários livros de ficção nas Publicações Dom Quixote, e é autora da coleção infantojuvenil DiáriodoMicas e de outros volumes infantis, todos com o selo do Plano Nacional de Leitura. Escreveu biografias de Vasco Santana, de Maria Antónia Palla (em coautoria com esta jornalista) e de Simone de Oliveira. Assina a biografia da escritora, poetisa e feminista Maria Teresa Horta, A Desobediente, que lhe valeu, em 2024, o Prémio Livro do Ano Bertrand.
