Sagrado Coração
Obras do acervo da Arquidiocese de Évora e da Coleção Treger Saint Silvestre
EXPOSIÇÃO COLETIVA
Curadoria de Joaquim Oliveira Caetano
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00 | Entrada livre
Inauguração: 31 de maio - 17h00
Uma longa história cultural e simbólica fez do coração o lugar físico das paixões. O coração oferece-se, rouba-se, arrebata-se, magoa-se ou exulta ao ritmo dos sentimentos. Às paixões ligam-se as emoções amorosas, mas também o ódio, a ira e, religiosamente, a devoção completa, mas também o sofrimento e a morte dos mártires e sobretudo de Cristo. O que unifica um campo semântico tão vasto é a noção do extremo – o excesso, o descontrolo da razão perante a avalanche das emoções. Nesta exposição cruzamos duas formas de arte que talvez tenham como traço de união precisamente a necessidade de apelarem à incontinência dos sentimentos e à expressão crua das paixões: a arte religiosa da Idade Moderna, com incidência no barroco, com obras do espólio de igrejas da arquidiocese de Évora, e um conjunto de obras contemporâneas da chamada “Arte Bruta”, feita maioritariamente em contexto terapêutico, ou por artistas que quase sempre iniciaram a sua prática em internamentos em hospícios, todas elas cedidas pela notável coleção de Richard Treger e António Saint Silvestre.
Evidentemente são dois conjuntos de natureza muito diferente, que organizamos por quatro salas – a paixão, o coração, o sofrimento e a morte. Se a prática artística dos pacientes era um convite à expressão direta dos seus tormentos e fixações passionais, ou se quisermos, à expulsão dos seus demónios interiores (o Dr. Charcot, em 1875, chamava-lhe “arte dos possuídos e dos demoníacos”), a arte religiosa cristã mostra os horrores do inferno, o sofrimentos dos santos, na penitência ou no martírio, e a violenta paixão de Cristo, canalizando para a crueza das representações a comoção e a meditação dos devotos, numa estratégia de comunicação que também era, frequentemente, um exercício de apaziguamento das paixões (ou da alma) do crente, num processo libertador que não deixa de ter fios de comunicação com a prática artística, feita dentro ou fora dos muros dos hospitais.
Descarregue AQUI a brochura da exposição
JOAQUIM OLIVEIRA CAETANO
Nasceu em Beja em 1962. É licenciado em História, variante de História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É Mestre em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com dissertação sobre o pintor Diogo de Contreiras, e Doutor em História da Arte pela Universidade de Évora, com tese sobre o pintor quinhentista Jorge Afonso. É conservador da coleção de pintura do Museu Nacional de Arte Antiga. Começou a trabalhar no Museu Nacional de Arte Antiga em 1991, dentro do programa de inventário nacional dos bens culturais móveis. Entre 1997 e 1999, trabalhou na Biblioteca Nacional de Portugal. De 2000 a 2010, foi diretor do Museu de Évora, hoje Museu Nacional de Frei Manuel do Cenáculo. Regressou ao Museu Nacional de Arte Antiga em 2010, onde exerceu funções de direção no museu entre 2019 e 2025. Foi professor na Escola Superior de Artes Decorativas e assistente convidado na Universidade de Évora. É autor de dezenas de artigos e livros sobre história da arte portuguesa e europeia, sobretudo acerca da pintura do período moderno. Foi comissário de várias exposições em Portugal e em Espanha, e conferencista em museus e universidades europeias e brasileiras.
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