Interim

Exposição dos estudantes do 1º ano do Mestrado em Práticas Artísticas em Artes Visuais da Universidade de Évora


EXPOSIÇÃO COLETIVA
Obras de: Dora Jacinto, João Cruz, Nuno Abelho, Tânia Andreia, Teresa Espada, Vittória Vieira
Curadoria: Teresa Veiga Furtado, Manuela Cristóvão, Luís Afonso e Vítor Gomes
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00 | Entrada livre
Inauguração: 3 de julho | 17h00

 

O Mestrado em Práticas Artísticas em Artes Visuais, oferecido pelo Departamento de Artes Visuais e Design da Escola de Artes da Universidade de Évora, promove o desenvolvimento de projetos artísticos orientados pelos interesses específicos de cada estudante. O curso acolhe estudantes provenientes de diferentes áreas, das humanidades às ciências, da arquitetura ao design e às tecnologias digitais, reunidos pelo desejo de desenvolver prática artística num ambiente interdisciplinar. Neste enquadramento, o programa incentiva a experimentação crítica e criativa de abordagens conceptuais, formais e tecnológicas, no vasto e heterogéneo campo da arte contemporânea.

A exposição Interim 2026, apresentada no espaço Atrium do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, reúne uma seleção dos projetos mais relevantes desenvolvidos pelas/os estudantes durante o primeiro ano do Mestrado em Práticas Artísticas em Artes Visuais. Neste momento intermédio do percurso formativo, que assinala a passagem entre o primeiro e o segundo ano do curso, a mostra oferece uma visão alargada das pesquisas e experimentações em curso.

Os trabalhos expostos assumem uma natureza transdisciplinar e transmédia, integrando diferentes linguagens e suportes, da escultura e da fotografia ao vídeo performativo, à pintura e à instalação. Neste contexto, o Atrium afirma-se como um espaço de experimentação e ensaio, funcionando simultaneamente como plataforma de apresentação e lugar de reflexão sobre os processos de configuração, montagem e articulação das propostas artísticas desenvolvidas pelas/os estudantes.

Através de uma prática centrada em técnicas têxteis como croché, bordado, tecelagem e tinturaria natural, Dora Jacinto explora os processos orgânicos e transformativos da vida, nos quais memória e matéria se entrelaçam em ciclos de perda e renascimento. O seu trabalho recorre a uma linguagem simbólica que cruza gesto, corpo e memória, investigando estados de transição e entendendo o escuro como um espaço fértil, em contínua metamorfose.

A identidade, o género, as temáticas queer e a experiência pessoal são materializados na obra de João Raposo Cruz através de performance, vídeo, instalação e pintura, em processos de autoanálise e desconstrução identitária. O trabalho questiona códigos socioculturais associados ao género, subvertendo símbolos como o vestuário, e investiga uma identidade em tensão, fragmentada e em permanente processo de redefinição.

O trabalho de Nuno Abelho explora a reprodução da imagem, o tempo e o apagamento da memória através de tecnologias instantâneas e arcaicas, cujos suportes frágeis sublinham a natureza efémera daquilo que procuram preservar. Os seus registos poéticos do quotidiano revelam uma materialidade vulnerável que reflete a memória como um processo transitório, marcado pela transformação, pelo desgaste e pelo desaparecimento.

Recorrendo à performance, ao vídeo e à instalação, Tânia Andreia desenvolve uma investigação autoetnográfica centrada na linhagem materna, na memória, no corpo e em referências mitológicas e ancestrais ligadas ao feminino. A sua prática artística procura resgatar vivências silenciadas e histórias familiares, explorando a perda, o luto e a transformação como ciclos contínuos e afirmando gestos de preservação, proteção e resistência simbólica.

A prática de Teresa Espada centra-se na experiência do tempo enquanto dimensão corporal, afetiva e social. Recorrendo ao têxtil como linguagem e arquivo, o seu trabalho reflete sobre as temporalidades do cuidado, do trabalho e da vida quotidiana feminina. As suas obras exploram a tensão entre disponibilidade e autonomia, presença e ausência, transformando vestígios, gestos e memórias em formas de resistência e permanência.

Explorando momentos de transição, presença e ausência, o trabalho de Vittória Vieira centra-se na fotografia analógica como meio de observação e registo do quotidiano. Através da recolha de imagens de espaços, gestos e situações aparentemente banais, a artista constrói arquivos visuais que valorizam o comum, o efémero e o transitório. A sua prática investiga outras formas de perceção do espaço e do tempo, revelando singularidades ocultas na experiência quotidiana.

Conscientes de que a arte contemporânea resiste a interpretações fixas e definitivas, convidamos o público a explorar as múltiplas camadas de significado presentes nesta exposição. Entre convergências e tensões, as obras apresentadas abrem espaço a novos diálogos, leituras e possibilidades, estimulando o encontro entre diferentes sensibilidades, experiências e modos de pensar o contemporâneo.

 

 

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