Cabaz digital: arte multimédia, género, investigação e ensino


EXPOSIÇÃO COLETIVA
Curadoria: Teresa Veiga Furtado, Joaquim Tavares, Maria Balbina Leitão e Hugo Marques
Apoio técnico: Vanda Sim Sim e Filipa Gonçalves
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00 | Entrada livre
Inauguração: 7 de maio | 17h30

 

Esta exposição reúne trabalhos de estudantes no âmbito do Cabaz Digital: Laboratórios Multimédia pela Igualdade de Género, um projeto de investigação em artes (arts-based research) do Centro de História de Arte e Investigação Artística da Universidade de Évora (UÉ), que articula género, investigação e ensino. Participam estudantes do Departamento de Artes Visuais e Design da Escola de Artes da UÉ, bem como de escolas parceiras, como a Escola Secundária de Montemor-o-Novo e a Escola Secundária Gabriel Pereira, num espaço onde aprendizagem, pensamento e criação se cruzam.

Este projeto articula arte multimédia, investigação e ensino, a partir de uma perspetiva feminista, inclusiva e interseccional, em alinhamento com as estratégias europeias para a igualdade de género e a transição digital. O ensino configura-se como eixo estruturante, não apenas enquanto transmissão de conhecimento, mas como desenvolvimento de contextos pedagógicos críticos, participativos e experimentais, orientados para a reflexão, a criação e a ação. Através de práticas artísticas colaborativas, a criação constitui-se como espaço de escuta, análise e transformação, no qual a igualdade de género, a prevenção da violência e a capacitação digital são abordadas enquanto processos contínuos e interdependentes. Neste enquadramento, o ensino em artes afirma-se como domínio de investigação e produção de conhecimento, promovendo a articulação entre saberes, experiências e contextos situados, em estreita relação com a comunidade. Entre a universidade, as escolas e a sociedade, constroem-se redes de colaboração onde a criação circula, se partilha e se prolonga para além da exposição.

Os laboratórios aqui apresentados exploram a arte como ferramenta crítica de investigação, tornando visíveis estruturas de desigualdade e abrindo espaço para pensar e ensaiar formas mais justas, igualitárias e não violentas de convivência. Em LAB 01 / Coisas lá de casa são de tod@s nós e LAB 02 / Não é coisa de menin@, o doméstico é ressignificado: objetos, gestos e imagens do dia-a-dia tornam-se matéria de questionamento dos estereótipos de género e das formas invisíveis de violência. Em LAB 05 / Vias de Trânsito pela Igualdade de Género, LAB 06 / Degraus para a Igualdade e LAB 07 / Na escola só o coração é que bate, a imagem e o som saem da escola para a rua, ocupando o espaço comum através de sinais, palavras e intervenções que convocam atenção, consciência e reflexão no espaço coletivo e na comunidade. O LAB 08 / Um mural e receitas de arte pela paz convoca a criação coletiva como gesto de encontro, onde a arte se torna construção partilhada de paz e de cuidado. O LAB 09 / Traços e ecos das pioneiras da media art faz ressoar vozes e imagens de mulheres artistas pioneiras, onde corpo, som e tecnologia se cruzam e se prolongam em práticas interativas, abrindo espaço à participação e à experiência.

Este projeto afirma também uma confiança ativa nas gerações mais jovens, cuja capacidade de reflexão, criatividade e ação é essencial na construção de futuros mais justos, sustentáveis e inclusivos. Afirma ainda o ensino e a investigação em artes como forças fundamentais na promoção do bem comum, contribuindo para práticas artísticas e pedagógicas comprometidas com a igualdade de género, a ética e a transformação social.

Convidamos o público a entrar não apenas para ver, mas para permanecer atento, escutar, sentir e envolver-se em outras formas de convivência e criação coletiva, ensaiadas neste espaço como laboratório de experiências partilhadas. Aqui, a arte abre lugar ao encontro, à imaginação e à reinvenção do coletivo, ao serviço do bem comum.

www.cabazdigital.uevora.pt/index.html

 



ATIVIDADES PARALELAS
21 de maio |  18h00
Performance Arte e Sustentabilidade “Entre Tranças e Memórias”, de Julia Kovács
Entrada livre

21 de maio 18h30
Performance “Walking on Egg Shells”, de Julia Kovács e Petri Haavisto
Entrada livre

Seminários de Arte Multimédia e Transmédia / Práticas de iniciação à investigação Artística
Organização: Prof. Associada Teresa Veiga Furtado (DAVD/EA CHAIA/UÉ / ITI-LARSyS), Mestrado em Práticas artísticas em Artes Visuais
 



TERESA VEIGA FURTADO
Nasceu em 1967 e reside e desenvolve a sua atividade em Lisboa e Évora. É artista, Professora Associada com Agregação e Diretora do Curso de Mestrado em Práticas Artísticas em Artes Visuais, no Departamento de Artes Visuais e Design da Universidade de Évora (DAVD/EA/UÉ), integrando o Centro de História de Arte e Investigação Artística (CHAIA) da UÉ. É também colaboradora do Instituto de Tecnologias Interativas, do Laboratório Associado de Robótica e Sistemas de Engenharia do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa (ITI/LARSyS/IST-UL), e do Centro de Investigação e de Estudos em Belas‑Artes (CIEBA) da Faculdade de Belas‑Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). As suas linhas de investigação são a arte multimédia, os estudos de género e a arte social. É doutorada em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (NOVA FCSH), com uma tese dedicada à videoarte de mulheres artistas, e em Belas‑Artes, especialidade multimédia, pela FBAUL, com investigação sobre net art e processos de cocriação com mulheres de casas de abrigo. https://home.uevora.pt/~tvf


JOAQUIM TAVARES
Nasceu em Évora, em 1950, e iniciou o seu percurso artístico como autodidata na década de 1970, integrando o coletivo Grupo 8, onde explorou uma grande diversidade de meios, incluindo cinema super 8, pintura, escultura, serigrafia, fotografia, performance e instalação. Posteriormente, licenciou-se em escultura e pintura no Departamento de Artes Visuais e Design da Escola de Artes da Universidade de Évora (DAVD/EA/UÉ). Atualmente, é doutorando em Arte Contemporânea no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Ao longo do seu percurso, realizou diversas exposições individuais, destacando-se Yellow Blue Red (Galeria Diferença, Lisboa, 1980), Instalação Cone (Museu de Évora, 1982), Formas, Reflexos e Transparências (Galeria Makkom, Amesterdão, 1985, com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian) e uma exposição de pintura no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (1986). Participou também em numerosas exposições coletivas, entre as quais a Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira (1978), 25 Artistas Portugueses de Hoje (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, 1981) e a III Bienal de Valongo (Museu Municipal de Valongo, 2023).


MARIA BALBINA LEITÃO
Nasceu em Borba, em 1967, e vive em Évora onde desenvolve a sua prática como artista. É atualmente professora de Educação Visual na Escola Secundária de Montemor-o-Novo, articulando o ensino com a criação artística e a investigação. Licenciada em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora (2007), concluiu o mestrado em Práticas Artísticas em Artes Visuais, pela Universidade de Évora, com a dissertação Mover como-ver ver (2020) e o mestrado em Ensino de Artes Visuais no Ensino Básico e Secundário na Universidade Lusófona de Lisboa, com a dissertação A importância do wonder no ensino das Artes Visuais (2023). De 1983 a 1994, completou o curso de Enfermagem Geral na Escola de Enfermagem S. João de Deus (Évora, 1987) e exerceu nos Hospitais de Santa Cruz (Carnaxide) e do Espírito Santo (Évora). Tem colaborado com a Universidade de Évora em oficinas, workshops e projetos de investigação temática, com diversas exposições individuais e coletivas. Como professora-artista, tem vindo a trabalhar a Cultura Visual em contextos escolares e comunitários, frequentemente marcados por vulnerabilidade social, através de projetos que ligam a aprendizagem a experiências de vida autêntica.


HUGO MARQUES
Nasceu em 1973, e vive e trabalha em Évora. É artista e Assistente Convidado no Departamento de Artes Visuais e Design da Escola de Artes da Universidade de Évora (DAVD/EA/UÉ), integrando o Centro de Investigação em Artes e Comunicação da Universidade do Algarve (CIAC/UAL). É atualmente doutorando em Média-Arte Digital na Universidade do Algarve, desenvolvendo investigação centrada nas interseções entre arte, tecnologia e comunicação digital. Com um percurso profissional consolidado nas áreas do marketing e da multimédia, desenvolveu competências transversais que articulam criação e inovação tecnológica. Ao longo do seu percurso, destacou-se também no ensino profissional, onde exerceu funções como formador e coordenador de cursos na área do multimédia, com particular enfoque na formação prática e na integração de ferramentas digitais emergentes. A sua prática artística, profissional e académica reflete uma abordagem interdisciplinar, com especial interesse em processos criativos mediados por tecnologia. URL: https://dmad.ciac.pt/hugo-marques

 

 

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