Em tempos de pandemia

2021-01-06 | Rui Carreteiro

   

José Maria Eugénio de Almeida Júnior (1844-1856) faleceu a 22 de setembro de 1856, dia em que completava 12 anos de idade. Foi uma das primeiras vítimas do surto de Febre Amarela que viria a manifestar-se de forma mais violenta em Lisboa na segunda metade de 1857, provocando, num curto espaço de tempo, mais de cinco mil mortos, num total de cerca de 15.000 pessoas[1] afetadas pela doença.

No diário que se encontra no arquivo da família, o seu pai, José Maria Eugénio de Almeida (1811-1872), deixou registada a profunda dor provocada por esta perda, afirmando: «Quando escrevo estas linhas que já por duas vezes interrompi com lágrimas que me impediram de continuar, quando as escrevo são já passados muitos dias que o meu querido filho faleceu; e, contudo, sinto com a mesma intensidade sempre a dor cruel da sua saudade e a amargura que ela me causa acompanhar-me-á em toda a vida. A morte de meu filho e da minha querida mãe são as duas maiores aflições que tenho experimentado em minha vida».

A morte do filho e o interesse em conhecer mais sobre a natureza da doença que o vitimara, levou o bisavô do Instituidor da Fundação a reunir na sua biblioteca diversas obras sobre doenças infeciosas. Entre estas publicações, encontram-se as Breves considerações sobre epidemias em geral, obra editada em 1857, da autoria de Francisco Pereira de Amorim e Vasconcelos que, com base na informação disponível à época, indica as causas prováveis dos surtos epidémicos e algumas das medidas que poderiam prevenir a sua propagação.

Em tempos de pandemia, aqui fica a sugestão de leitura sobre a forma como no século XIX a prevenção deste tipo de doenças era abordada.

NOTAS

  1. SILVA, Júlio Joaquim da Costa Rodrigues da - O imaginário social das epidemias em Portugal no século XIX. Lusíada: História. ISSN 0873-1330. 2.ª série, n.º 1 (2004), p. 95-125.