Olha a Bola de Berlim, há com creme e sem creme!

2021-07-23 | Rui Carreteiro

   

É notável aquilo que se pode encontrar num arquivo. Há de tudo e para todos os gostos. O arquivo da família Eugénio de Almeida não é exceção. Como não poderia deixar de ser numa família de empresários e detentora de um vasto património fundiário, os livros de escrituração contabilística constituem uma parte significativa do acervo.

Trata-se, é sabido, de um tipo de «literatura cinzenta», pouco apelativa para o «comum dos mortais», mas da qual alguém familiarizado com a «linguagem» dos números poderá retirar instrutivas informações sobre as estratégias de investimento familiar, os ritmos de crescimento ou de contração das diferentes áreas de negócio, a rentabilidade ou as perdas associadas à participação em sociedades industriais e financeiras e até, imagine-se, preciosas informações sobre a receita, não de como fazer fortuna, mas como confecionar… Bolas de Berlim!

Claro que uma tal receita não se obtém através dos dados do cash flow e do benchmark, nem pela análise do volume de swaps e de forward contracts, nem mesmo, como resultado da avaliação da yield curve, do day trade ou de outros quaisquer indicadores de «metafísica económica».

A receita das Bolas de Berlim é um dos documentos - por motivos desconhecidos e que talvez nunca venham a ser desvendados -, que se encontra apenso a um dos processos das dívidas ativas da família Eugénio de Almeida, entre letras de câmbio, extratos bancários e contas correntes… Embora seja apelativo como hipótese, é muito pouco crível que alguém tenha proposto oferecer como garantia de pagamento de uma dívida nada mais, nada menos do que… uma receita culinária.

Seja como for, ela aqui fica, sem indicadores calóricos e sem ter sido previamente testada… só porque estamos no verão e as Bolas de Berlim nos deixam um «sabor» a férias e a praia.