A réplica das Casas Pintadas*

Em 2024, passam 10 anos da publicação do livro As Casas Pintadas em Évora. Os textos reunidos nesta obra documentam a investigação realizada em diversas áreas do conhecimento que serviram de suporte à intervenção de conservação e restauro levada a efeito entre 2011 e 2012, nos frescos das Casas Pintadas, ou registam, para memória futura, os procedimentos técnicos realizados no decurso destes trabalhos promovidos pela Fundação Eugénio de Almeida. No artigo de caráter histórico que abre a publicação, Joaquim Oliveira Caetano e José Alberto Seabra Carvalho demonstram, de forma clara, que os frescos quinhentistas deste espaço foram uma encomenda de Francisco da Silveira, ilustre cortesão e Coudel-mor do reino, afastando, assim, em definitivo, a lenda de que «estas» Casas Pintadas tinham pertencido ao almirante Vasco da Gama. Antes da revelação, porém, a história e a iconografia deste local foram interpretadas à luz do grande feito marítimo daquele que se tornou um dos maiores ícones das glórias nacionais ao lograr chegar à Índia contornando o continente africano. A tal ponto se enraizou a ideia que nestas casas tinha residido Vasco da Gama que, por ocasião das Comemorações dos 500 anos do falecimento do Infante D. Henrique, se decidiu fazer uma cópia tridimensional do «claustrim» e da «capela» das Casas Pintadas de Évora, para constar no Museu de Marinha, à época instalado no Palácio do Conde de Farrobo, às Laranjeiras, em Lisboa. A documentação produzida no âmbito da construção da réplica parece explicar algumas das patologias que, no século XX, afetaram a conservação das pinturas murais na que fora um dia a morada dos Silveira Henriques na cidade.

Texto

Rui Carreteiro

Publicação

2024-09-05

Atualização

2024-10-05

Em abril de 1959 o Ministro da Marinha, Vice-almirante Fernando de Quintanilha e Mendonça Dias, e o Diretor do Museu de Marinha, Comandante Jaime Correia do Inso1, deslocaram-se a Évora onde visitaram o que, à época, se acreditava serem as casas de Vasco da Gama. Uma vez que se aproximava a Exposição Henriquina que, em 1960, assinalava os 500 anos do falecimento do Infante D. Henrique, pareceu apropriado mandar construir uma réplica do «claustrim» e da «capela» daquele espaço de modo a figurar no Museu de Marinha, então instalado (provisoriamente) no Palácio do Conde de Farrobo, às Laranjeiras, em Lisboa. A conclusão era lógica: se, conforme defendia a narrativa dominante na época, o Infante «navegador» fora o génio impulsionador dos feitos marítimos, parecia fazer sentido exibir na metrópole uma réplica das «casas» do almirante Vasco da Gama, responsável, em 1498, por concretizar o sonho há muito almejado de abrir a Portugal um caminho marítimo para a Índia, epopeia imortalizada no poema épico do grande Luís de Camões.

O projeto foi avante. A réplica das Casas Pintadas de Évora, adjudicada por 17.000$002, ficou a cargo do pintor Francisco Alberto Cutileiro3 que, no outono de 1959, de regresso à sua terra natal, começou por coordenar in situ os trabalhos de levantamento através da realização de desenhos, fotografias e recolha topográfica levados a cabo por uma equipa de técnicos do Museu de Marinha e do Arsenal do Alfeite. A imprensa local, orgulhosa por mais este reconhecimento de um monumento da sua «cidade-museu», registou a ocasião4.

Imagem 1
Aspeto dos painéis da «hidra» (à esquerda) e do «basilisco» e do «pelicano» (em frente) na galeria das Casas Pintadas, em Évora. Em segundo plano, no interior da capela, podem observar-se os técnicos do Museu de Marinha e do Arsenal do Alfeite durante os trabalhos de levantamento de dados destinados à construção da réplica das Casas Pintadas. À direita, é visível o murete que, nos dois arcos mais a Norte, delimitava fisicamente o espaço da galeria em relação ao jardim. 1959, fotografia de autor desconhecido (Museu de Marinha).


Tanto quanto é possível depreender da documentação consultada, tratar-se-ia de uma réplica de dimensão considerável ou até próxima da escala real. Isso mesmo parece poder concluir-se da descrição feita por Alberto Cutileiro em relação à reprodução da capela que, no Museu de Marinha, segundo afirmava, não tinha as proporções do original «dado o pouco espaço existente». Isso explicava algumas irregularidades na cópia como, por exemplo, na abóbada já que, enquanto a original fechava em «ligeira ogiva», a construída no Palácio das Laranjeiras era de «volta redonda perfeita»5. Afigura-se pouco provável que, a tratar-se de uma miniatura, a questão do espaço colocasse constrangimentos desta ordem e, muito menos, como mais adiante se verá, o nível de detalhe a que se discutiram os pormenores da representação figurativa fosse algo relevante na sua transposição para painéis de dimensões significativamente mais reduzidas do que as dos originais.

O empreendimento conheceria vários contratempos. O primeiro prendeu-se com o volume de encomendas a que Alberto Cutileiro teve de dar resposta, num curto espaço de tempo, por se tratarem de trabalhos destinados a figurar, igualmente, na Exposição Henriquina de 1960, como foi o caso da reprodução do «valioso planisfério existente na Biblioteca do Palácio Ducal de Vila Viçosa, mandado fazer por D. Manuel I6.» Alguns destes trabalhos obrigariam mesmo a que se ausentasse do país durante semanas, conforme sucedeu aquando da sua deslocação a Ceuta para fazer uma cópia do «Pendão Real do Infante D. Henrique, conhecido pelo nome de Pendão da Virgem de África7».

Para Alberto Cutileiro, no entanto, a principal fonte de todos os atrasos radicava, antes de mais, na deficiente conservação dos frescos quinhentistas, já que dificultava a correta leitura dos elementos figurativos e a identificação das cores da composição original. Segundo um documento anexo ao projeto, «para efeitos de acompanhamento de contraste de cores, em face da infiltração das águas das chuvas, da humidade e salitre, houve necessidade, tanto no verão como no inverno, de se proceder à verificação dos contornos das figuras, o que deu motivo a surgir decoração animalista que durante o verão, com as paredes totalmente secas, não eram visíveis8

Questionado sobre o prazo da conclusão da réplica, considerava não ser possível terminar a obra a tempo de figurar nas comemorações Henriquinas, conforme pretendia o Museu de Marinha, pois era necessário realizar um demorado «estudo» das pinturas sem o qual, em lugar da fiel reprodução dos frescos da «casa de Vasco da Gama», o resultado seria uma composição fantasiosa, sem correspondência com a realidade, totalmente contrário aos objetivos do projeto.

No que diz respeito ao estado de conservação dos frescos, algumas patologias identificadas pela equipa da Mural da História, empresa responsável, entre 2011 e 2012, pela intervenção de conservação e restauro de que foram objeto, parecem encontrar eco nas memórias de Alberto Cutileiro sobre as Casas Pintadas, que conhecia desde a juventude. Em duas cartas dirigidas ao Diretor do Museu de Marinha, datadas de 21 e 22 de novembro de 1960, o pintor alentejano recordava que, até 1928 e mercê de várias obras de adaptação do edifício do antigo Palácio da Inquisição, os frescos haviam sofrido «profundos danos», circunstância que se agravou depois de uma nova intervenção, desta feita para a instalação do Hotel Alentejano, pois «o pouco que havia, sofreu tal injúria que [os frescos] se consideram hoje quase perdidos»9.

Para agravar o problema, «em 1932, um “caiador jeitoso”10, o que é de pasmar, foi encarregado pela proprietária do edifício de “avivar apenas” [as cores] dos referidos frescos. Foi o fim! Os frescos, que haviam resistido a tantas vicissitudes, perderam-se completamente, depois de uma lavagem com soda (…). Tal tratamento comeu a cor, a graça [e] a originalidade» das pinturas. E quando parecia que o pior já tinha passado, eis que o «caiador jeitoso» – prossegue Cutileiro no seu relato – «se deu ao gosto de improvisar coisas, aleijando, destruindo, etc. As figuras centrais [da capela] representando a Virgem (…), o Deus Menino e São José foram de tal forma sarapintadas que ficaram irreconhecíveis»11.

Imagem 2
Desenho do alçado e corte da galeria das Casas Pintadas, em Évora, realizado no decurso dos trabalhos de levantamento destinados à construção da réplica deste espaço. 1959, desenho de Alfredo Barroca (Museu de Marinha).


Neste ponto, Alberto Cutileiro fez questão de apontar aquilo que, no seu entender e de acordo com a sua interpretação iconográfica, redundara numa nítida adulteração das representações do painel principal do pequeno oratório contíguo à galeria. As suas observações fundamentavam-se no argumento particularmente relevante de ele próprio, Cutileiro, conhecer os frescos desde «há quarenta anos, pois [em Évora] nasci e vivi grande parte da minha vida», tendo em 1930 chegado a fazer esquiços «de certos pormenores que julguei mais importantes, sem sonhar, sequer, quanto eles viriam a tornar-se preciosos para uma reprodução futura»12.

Denotando algum mal-estar provocado por o que lhe pareciam ser tentativas de terceiros de promover «interpretações» avulsas dos elementos figurativos da «composição», Cutileiro esclarecia, sempre a referir-se agora ao painel central da capela, que antes «a figura representando São José segurava nas mãos um caniço da Jordânia com flores verdes, amarelas e vermelhas (…)13.» Não conseguia, por isso, «ver lírios numa coisa qualquer que o caiador-restaurador pôs na mão de São José» e que isso era «ir demasiado [longe] em conhecimentos de floricultura que o original perdido não tinha». Sobre o trabalho em curso asseverava com veemência que «tudo, mas tudo, o que há 30 anos existia na capela em causa, tem sido rigorosamente feito [e] fielmente executado, como eu os vi e conheci, e mais ainda, os reproduzi.»

Por estas razões, mostrava-se contrário «a reproduzir aleijões, improvisações e o que é ainda pior, falsear composições anacrónicas, produto de um “caiador jeitoso”, que tendo destruído já não soube refazer o que perdera14.» Em tom desgostoso, prosseguia, afirmando que «ir atrás de erros por belo prazer de reproduzir o que foi alterado profundamente, julgo ser de má conduta e a ela não poderei dar o meu concurso», entendimento que chegou a levá-lo a colocar o seu lugar à disposição, pois estava certo não ser difícil conseguir um «artista que execute fielmente os referidos frescos segundo o que atualmente se encontra na mencionada capela em Évora. Evitam-se, assim, inúmeros aborrecimentos, constantes esclarecimentos, dúvidas, que sei eu!15»

Concluía, por fim, com a revelação que, já depois disso, o espaço servira de «alpendre para guardar utensílios de jardineiro que até pregou uma enormíssima escápula para suspender o regador, tudo sobre os infelizes frescos já então completamente sumidos». Face a tão desolador panorama, sentenciava, não era possível apressar a obra porque «quem trabalha em pintura de tal interesse histórico e tão grande responsabilidade, necessita de um mínimo de tranquilidade e espírito cônscio do que está a fazer.»

Imagem 3
Painel central da capela da galeria das Casas Pintadas, em Évora, com a representação da Sagrada Família, composição que, segundo Alberto Cutileiro, terá sido desvirtuada na década de 1930 pela ação de quem apelidou ser um «caiador jeitoso».


As afirmações e os desabafos de Alberto Cutileiro, designadamente os referentes às pinturas da capela, devem ser cuidadosamente analisados no contexto da pressão a que se encontrava sujeito para concluir os diversos trabalhos que tinha em mãos. Talvez nunca se chegue a saber se, na composição do painel central da capela, aquilo que São José segurava na mão esquerda eram lírios, como atualmente se observa e para o que aponta a iconografia cristã ou se, ao invés, se tratava de um «caniço da Jordânia», como Alberto Cutileiro afirmou ter visto e registado em tempos. Ainda assim, os aspetos que menciona parecem colocar sobre a mesa elementos a ponderar em futuras leituras sobre o estado de conservação em que os frescos quinhentistas das Casas Pintadas chegaram ao século XXI. Esta perceção é reforçada pela circunstância de os próprios trabalhos de levantamento e recolha de dados para a execução da réplica poderem ter compreendido algum tipo de intervenção sobre os frescos. Com efeito, quando em outubro de 1959 anuncia a conclusão da primeira fase do projeto, o Notícias de Évora, refere-se a «trabalhos de levantamento e restauro» realizados por uma «turma de técnicos do Arsenal da Marinha e dirigidos pelo artista Alberto Cutileiro16». Mais de um ano e meio depois, é o jornal O Século que, a propósito da inauguração da réplica e ao destacar o mau estado de conservação em que se encontravam as pinturas, refere que uma vez «limpos, porém, os frescos, tanto quanto o seu estado o permitia, foi obtida larga reprodução fotográfica, procedendo-se, também ao levantamento topográfico17

A documentação relativa ao processo de construção da réplica não permite confirmar se estas operações de «restauro» ou de «limpeza» dos frescos foram, de facto, realizadas nem saber, a ter sido assim, em que terão consistido. No plano meramente especulativo, a notícia permite, no entanto, suscitar a hipótese de os trabalhos de levantamento no local explicarem, por exemplo, o que a intervenção de conservação e restauro realizada entre 2011 e 2012 identificou nas abóbadas da galeria como «remoção pontual» de «caiação», ocorrida em data indeterminada, «de maneira a colocar à vista os nós de corda»18. Poderia esta remoção ter sido realizada em 1959/60 de modo a aferir o que se encontrava por baixo da camada de cal ou a facilitar a visualização destes elementos iconográficos para os copiar com maior rigor?

Nas suas cartas, Alberto Cutileiro não faz menção aos vãos abertos na galeria (uma porta) e na capela (uma janela) que mutilaram a pintura fresquista de forma irremediável. Tal como assinalaram Joaquim Oliveira Caetano e José Alberto Seabra Carvalho, em 2014,19 a partir das fotografias que no ano de 1949 instruíram o processo de classificação das Casas Pintadas20, nesta data os vãos encontravam-se fechados, sendo visíveis as lacunas por eles deixadas na composição. Dez anos depois, em 1959, conforme se pode observar nas fotografias do levantamento realizado para a construção da réplica (imagens 4 e 5), o vão do painel dito das «sereias» continuava ainda entaipado. A reabertura, com a reposição de uma porta e de uma escada de acesso, em madeira, terá, portanto, ocorrido na década de 1960, altura em que certamente se procedeu também à remoção do murete sob dois dos arcos da galeria (imagem 1).

Imagem 4

Imagem 5

Aspeto parcial do «painel das sereias» onde são visíveis as lacunas deixadas na composição fresquista pela abertura do vão de uma porta, entretanto entaipado, e pela inclusão de uma escada em madeira, também já removida na imagem, mas cuja existência é evidenciada pelas marcas da ligação dos degraus à parede. 1959, fotografias de autor desconhecido (Museu de Marinha)

Quanto à réplica propriamente dita, só ficou concluída em abril de 1961, demasiado tarde para integrar as Comemorações Henriquinas, mas ainda a tempo de ser um dos motivos de interesse do Dia da Marinha, que naquele ano se comemorou a 8 de julho como evocação da data da partida da frota de Vasco da Gama para a Índia. No jornal O Século, a propósito do programa comemorativo, podia ler-se que «serão inaugurados a Sala Vasco da Gama e a réplica do claustrim e capela dos Paços do grande navegador, em Évora (…). Trabalho executado pelo pessoal civil, oficial e militar do museu, [com] frescos da autoria de Alberto Cutileiro, é curiosíssimo e valoriza, sem dúvida, o estabelecimento. Procurou-se fazer a mais perfeita réplica da capelinha anexa aos paços de Vasco da Gama, construída nos princípios do século XVI, composta de um pequeno claustrim de três metros de arcos de volta perfeita, cobertos por abóbada trilobada e de uma pequenina capela em seguimento do claustrim21

Na véspera, o Notícias d’Évora anunciava, com destaque de primeira página, que no «Dia da Marinha, em Lisboa, vai ser inaugurada uma réplica da capela existente em Évora nas casas que foram de Vasco da Gama»22, ao passo que o Diário de Notícias, na edição do dia seguinte em que fez o relato das celebrações, começava, num estilo mais poético, por citar algumas passagens de Os Lusíadas sobre a partida das naus para a Índia, para depois se lançar na evocação simbólica das representações dos frescos das Casas Pintadas onde, segundo descrevia, se podiam ver «os nós dos marinheiros do Venturoso, os gamos dos Gamas, os coelhos dos Perestrelos, as cariátides, uma briga de galos da Índia, a hidra de Lerna, com as suas sete cabeças, os símbolos da piedade cristã», tudo entrelaçado «fantasticamente nas paredes da capela e no claustrim, de um sabor indo-persa, que parece anteceder a presença de Portugal no Indostão23.» De alguma forma, a interpretação equívoca sobre a propriedade «destas» Casas Pintadas e da identidade do verdadeiro responsável pela encomenda dos frescos – que Joaquim Oliveira Caetano e José Alberto Seabra Carvalho demonstraram, de forma cabal, ser Francisco da Silveira24 –, teve neste evento, um outro meio de extravasar os artigos de académicos e investigadores, e alcançar um público mais vasto e diversificado. Depois, os processos de construção da memória coletiva, afiançados pela voz do «discurso oficial» sobre o tema, encarregar-se-iam de reproduzir a lenda de forma cada vez mais amplificada.

A existência da réplica das Casas Pintadas terá sido, no entanto, efémera. Pouco tempo depois, deu-se início ao processo de transferência do Museu de Marinha do Palácio das Laranjeiras para o Mosteiro dos Jerónimos25. As dimensões da «peça», a circunstância de eventualmente não ser transportável ou as opções museológicas tomadas aquando da passagem do espólio do museu para as «novas» instalações são algumas das razões que podem ter ditado o seu desaparecimento26. Ironicamente, no mesmo ano em que a réplica foi inaugurada, teve início a ação dos movimentos de libertação em Angola enquanto no oriente Goa, Damão e Diu foram tomadas pela União Indiana, iniciando-se assim o processo que conduziu ao fim das então designadas «províncias ultramarinas», as mesmas que as Comemorações Henriquinas também pretendiam celebrar e para as quais a réplica das Casas Pintadas fora inicialmente pensada. A petite histoire, por vezes, tem destas coisas…


NOTAS

* No âmbito da pesquisa para a realização deste texto é devido um especial agradecimento ao Arquivo Histórico da Marinha, na pessoa da Dra. Isabel Beato, e ao Museu de Marinha, nas pessoas do Comodoro José Favinha e do Capitão-de-Mar-e-Guerra Augusto António Alves Salgado, respetivamente, anterior e atual Diretores deste Museu, bem como à Chefe do Centro de Documentação do Museu de Marinha, Dra. Leonor Isabel Robalo Júdice da Costa.

  1. Salvador da Cunha Cordovil Horta e Costa – Jaime Correia do Inso: Uma vida dedicada à Marinha e encantada pelo Oriente. 2018, 100 p.
  2. AHM – Fundo 337 (Museu de Marinha), Autorização de despesa, 1959-10-19, vol. 22 (5-IV-5-4).
  3. Francisco Alberto Cutileiro nasceu em Évora, em 1915. Autodesignava-se «Pintor de Arte». Frequentou o Liceu André de Gouveia, em Évora, dedicando-se nas aulas a fazer a caricatura de professores e colegas, irreverência que lhe «valeu» a entrada na Escola Industrial Gabriel Pereira. Aqui teve como professor de desenho o mestre Luís Salvador Marques da Silva Júnior, irmão do ator Eugénio Salvador. Ainda em Évora, colaborou como caricaturista com o jornal Democracia do Sul. Genro do também ator Alves da Cunha, Alberto Cutileiro rumou depois a Lisboa onde começou por pintar cenários no Teatro Avenida e no Teatro da Trindade. Entrou no Secretariado da Propaganda Nacional pela mão de Francisco Borges, com quem colaborou na montagem do Museu de Arte Popular, em Belém. Foi pintor do Museu de Marinha durante 25 anos, reformando-se em 1981. O avô do escultor João Cutileiro e do embaixador José Cutileiro era irmão do avô de Alberto Cutileiro. Francisco Alberto Cutileiro faleceu em Lisboa, em 2003. Em Évora, existe uma rua com o seu nome. Joaquim Palminha Silva – Dicionário Biográfico de Notáveis Eborenses, 1900/2000. 2004, p. 32. Sobre Francisco Alberto Cutileiro podem ser consultados online, no portal RTP Arquivos, diversos documentos audiovisuais em que intervém como entrevistado, designadamente, nos programas Um dia com… (RTP, 1971), O Homem é um mundo (RTP, 1981), Fim de semana (RTP, 1984) e Aqui entre nós (Antena 1, 1999).
  4. Notícias d’Évora. 1959-10-17, n.º 17777, p. 1.
  5. MM – [Carta de Alberto Cutileiro dirigida ao Diretor do Museu de Marinha], 1960-11-22, 15701.2/2-C.
  6. AHM – Fundo 337 (Museu de Marinha), [Informação do Diretor do Museu de Marinha, dirigida ao chefe de gabinete do Ministro da Marinha], 1960-11-29, vol. 2 (5-IV-5-3).
  7. Idem – [Ofício da Comissão Executiva do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, dirigido ao Diretor do Museu de Marinha], 1960-05-09, vol. 22, (5-IV-5-4).
  8. MM – [Memorando sobre o Dia da Marinha de 1961], 1961, 15701.2/2-C, doc. 29. A informação contida neste memorando terá também sido enviada à comunicação social como nota de imprensa relativa ao programa do Dia da Marinha de 1961.
  9. Idem – [Carta de Alberto Cutileiro dirigida ao Diretor do Museu de Marinha], 1960-11-21, 15701.2/2-C.
  10. A propósito da inauguração do Hotel Alentejano, no dia 6 de junho de 1929, o Notícias d'Évora referiu que João Galopim foi o responsável pelas «caianças e pinturas» nas obras de adaptação de que o Palácio da Inquisição foi objeto para esse efeito. A notícia refere também que tinha sido o mesmo João Galopim a executar os frescos da «sala onde foi servido o Porto de Honra (...) com desenhos à antiga portuguesa.» Seria João Galopim a mesma pessoa que Alberto Cutileiro apelidara de “caiador jeitoso” e quem a proprietária do edifício encarregara em 1932 de «avivar» as cores dos frescos das Casas Pintadas? No Dicionário Histórico e Biográfico de Artistas Amadores e Técnicos Eborenses, uma das entradas refere-se a João António da Silva Galopim. Nascido em 1887, fora ator amador, ensaiador, encenador e cenógrafo, tendo falecido em 1969. A fotografia publicada nesta obra corresponde à do registo de sócio de João António Galopim no Sindicato dos Trabalhadores de Construção, Mármores, Madeiras, e Materiais de Construção do Sul – Delegação de Évora. Tal como sucede com Alberto Cutileiro, também existe em Évora uma rua com o nome João Galopim. Notícias d'Évora. 1929-06-07, n.º 8534, p. 1; Gil do Monte – Dicionário Histórico e Biográfico de Artistas Amadores e Técnicos Eborenses: A a L. 1971, p. 98-100; ADEVR – Sindicato dos Trabalhadores de Construção, Mármores, Madeiras, e Materiais de Construção do Sul – Delegação de Évora, Livro n.º 2 de sócios do Distrito de Évora inscritos no sindicato, cx. 36, ui. 2, fl. 92 (PT/ADEVR/ASS/STCMMMCSEVR/B-B/002/0002/000547).
  11. MM – [Carta de Alberto Cutileiro dirigida ao Diretor do Museu de Marinha], 1960-11-21, 15701.2/2-C.
  12. Ibidem; Idem – [Carta de Alberto Cutileiro dirigida ao Diretor do Museu de Marinha], 1960-11-22, 15701.2/2-C. Apesar de todas as diligências realizadas no Arquivo Histórico da Marinha e no Centro de Documentação do Museu de Marinha, não foi possível localizar estes esquiços. O contacto realizado junto de uma descendente de Alberto Cutileiro, a quem se agradece a atenção dada a este assunto, revelou-se, igualmente, infrutífero.
  13. Ibidem.
  14. Idem – [Carta de Alberto Cutileiro dirigida ao Diretor do Museu de Marinha], 1960-11-21, 15701.2/2-C.
  15. Idem – [Carta de Alberto Cutileiro dirigida ao Diretor do Museu de Marinha], 1960-11-22, 15701.2/2-C.
  16. Notícias d’Évora. 1959-10-17, n.º 17777, p. 1
  17. O Século. 1961-07-07, n.º 28464, p. 1, 5.
  18. José Artur Pestana [et al.] – Intervenção de conservação e restauro das pinturas murais das Casas Pintadas. As Casas Pintadas de Évora. 2014, p. 73.
  19. Joaquim Oliveira Caetano e José Alberto Seabra Carvalho – Francisco da Silveira e as pinturas da galeria do seu jardim. As Casas Pintadas de Évora. 2014, p. 11.
  20. SGEC – Direção-Geral do Ensino Superior e Belas Artes, Classificação de frescos do Palácio da Inquisição, 1949, C.0.4 (PT/MESG/AAC/DGESBA/003/3152/00465).
  21. O Século. 1961-07-07, n.º 28464, p. 1, 5.
  22. Notícias d’Évora. 1961-07-07, n.º 18304, p. 1.
  23. Diário de Notícias. 1961-07-09, p. 1, 5.
  24. Joaquim Oliveira Caetano e José Alberto Seabra Carvalho – Op. cit., p. 15-22.
  25. As instalações do Museu de Marinha no Jerónimos foram inauguradas no dia 15 de agosto de 1962. No entanto, em ofício dirigido à Fundação Calouste Gulbenkian datado de 29 de outubro de 1962, o diretor do museu, Jaime Correia do Inso, informou que «parte do Museu de Marinha continua instalada no Palácio do Conde Farrobo – Estrada das Laranjeiras, n.º 199 –, outra parte já se encontra no Mosteiro dos Jerónimos, havendo ainda material guardado no edifício da antiga Escola Naval – Rua do Arsenal, H, 1.º –, onde provisoriamente continua instalada a Direção e o serviço de secretaria (…).» AHM – Fundo 337 (Museu de Marinha), [Ofício do Museu de Marinha dirigido à Fundação Calouste Gulbenkian], 1962-10-29, (5-IV-5-3), ui. 23. Para uma cronologia sobre o Museu de Marinha ver José do Vale - Génese, antecedentes e situação actual do Museu de Marinha. Jornadas do Mar: O reencontro com o mar no século XIX. [2013], p. 300-310.
  26. As atas das reuniões da Comissão Instaladora do Museu de Marinha no Mosteiro dos Jerónimos, realizadas entre 1961 e 1964, não fazem qualquer referência à réplica das Casas Pintadas. As atas estão identificadas com a numeração de 1 a 17, encontrando-se, no entanto, em falta as atas n.º 4 e n.º 9. MM – Ofícios, correspondência e relatórios diversos sobre a instalação do Museu de Marinha nos Jerónimos, 15723.2/2-C.

SIGLAS

ADEVR Arquivo Distrital de Évora

AHM Arquivo Histórico da Marinha

MM Museu de Marinha

SGEC Secretaria-Geral de Educação e Ciência