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Tierra no descubierta. La obra de Alfredo Jaar desde el pensamiento decolonial
Com Irene Sanchéz Izquierdo
Ativo desde os anos 80 e pioneiro na utilização da linguagem publicitária nos seus projetos, Alfredo Jaar é também um dos grandes expoentes da arte enquanto intervenção crítica e força política. As suas obras levantam frequentemente questões sobre os efeitos do eurocentrismo na América Latina e em África. Em consonância com as recentes correntes de pensamento que explicam estas dinâmicas de poder (ver Quijano, 2000; Mignolo, 2003), propomos uma nova viagem através de algumas das obras do artista, na perspetiva do chamado giro decolonial.
Alfredo Jaar (Santiago do Chile, 1956)
Formou-se como arquiteto e cineasta no Instituto Chileno-Norte-Americano de Cultura e na Universidade do Chile. Vive em Nova Iorque, desde 1982. Desde o início que as suas obras têm sido marcadas por uma forte carga política, a partir de uma revisão crítica tanto da história como de um presente repleto de injustiças e tragédias, seja na América Latina ou em África, questionando a narrativa a que temos acesso enquanto membros da sociedade ocidental contemporânea.
A obra Terra non descoperta, 1991, foi realizada ao tempo das comemorações do V Centenário do Descobrimento da América, mas com uma abordagem que se distanciava radicalmente das solenidades festivas daqueles dias: a América Latina continua a ser “descoberta” e saqueada. A peça parte de uma reportagem fotográfica sobre a Serra Pelada, uma infernal mina de ouro a céu aberto localizada na Amazónia brasileira, onde operários extraem o minério quase sem ferramentas, desnutridos e cobertos de lama. Jaar também usa ampliações, sobre fundo vermelho, de gravuras vintage que mostram as consequências de dor e morte que a chegada dos conquistadores significou para os indígenas.
Irene Sanchéz Izquierdo
Licenciada em Belas Artes e investigadora na Universidade de Alcalá (Madrid). Anteriormente, trabalhou no Departamento de Educação do Museu de Belas Artes de Bilbao e no Centro Cultural de Espanha, em Santo Domingo (República Dominicana), onde coordenou a montagem de exposições durante dois anos. Atualmente, encontra-se a fazer investigação no CIDEHUS da Universidade de Évora.
