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Francis Alÿs
Com José Alberto Ferreira
Francis Alÿs é um artista de origem belga estabelecido no México desde 1986. No seu trabalho recorre a múltiplos meios, incluindo performance, vídeo e pintura. Partindo da peça Catálogo 4, em exibição na exposição Do outro lado, parte do projeto The Liar, the Copy of the Liar, desenvolvido pelo artista nos anos 90, esta sessão procura dar a conhecer algumas outras dimensões do trabalho de Alÿs, nomeadamente os projetos performativos e comunitários. A contaminação entre o poético e o político nas suas ações, e as inquirições sobre o social e o coletivo atravessam constantemente os seus trabalhos. Francis Alÿs é o representante da Bélgica na Bienal de Veneza de 2022.
Francis Alÿs (Amberes, Bélgica. 1956)
Formou-se em Arquitetura em Antuérpia e Veneza, até que em 1986 abandonou a disciplina e se estabeleceu na Cidade do México. O seu trabalho como artista assenta numa prática repartida pela pintura, arquitetura e práticas sociais, utilizando diferentes suportes como o vídeo, a fotografia e a performance. Nos últimos anos, tem vindo a desenvolver um projeto que consiste em passear por diferentes cidades do mundo (Cidade do México, Jerusalém, Londres) enquanto realiza atividades ilógicas: empurrar um bloco de gelo até derreter, pingar tinta, chutar uma lata, etc.
Entre 1994 e 1997, desenvolveu a série The Liar, the Copy of the Liar, à qual pertence Catálogo 4, 1994, composta por pequenas pinturas a óleo que representavam personagens solitários, sempre fragmentados, em situações estranhas e oníricas. Essas pinturas seriam depois reproduzidas como cartazes de maior dimensão em oficinas artesanais e incorporadas à obra. Com isso, Alÿs foca-se nos processos de transmissão e interpretação - a ideia original transformada por diferentes mãos - e desafia a ideia de originalidade nas obras de arte, tornando o processo mais anónimo e questionando o valor comercial dos objetos artísticos.
José Alberto Ferreira
Docente convidado da Universidade de Évora. Publicou, entre outros, Uma Discreta invençam (2004), sobre Gil Vicente, Da vida das Marionetas, sobre os Bonecos de Santo Aleixo (2015), Teatro do Vestido. Um dicionário (2018). Colabora com várias organizações ministrando cursos e seminários. Dirigiu e produziu o Festival Escrita na Paisagem (2004-2012). Foi o curador português do projeto INTERsection: Intimacy and Spectacle, integrado na Quadrienal de Praga. É, desde 2018, o Diretor Artístico do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida.
