26-03-2022
Carpinteros
Los Carpinteros, El Faro (vista da exposição), 1997

Artistas em foco (Los Carpinteros)

Entrada livre, limitada aos lugares disponíveis
É obrigatória a apresentação de certificado digital de vacinação (de acordo com normas da DGS em vigor).

 

Los Carpinteros
Com José Ángel Torres


Los Carpinteros foi um coletivo de artistas cubanos formado em 1991, por Marcos Castillo, Dagoberto Rodríguez e Alexander Arrechea. Este último deixou o grupo em 2003, e Castillo e Rodríguez continuaram a criar e a participar com as suas esculturas monumentais em exposições internacionais e bienais, com uma trajetória ascendente que lhes proporcionou numerosos prémios. Ficaram juntos até 2018. Em 2009, decidiram instalar-se em Madrid, onde a sua projeção e produtividade aumentaram exponencialmente. Posteriormente, com as mudanças ocorridas em Cuba, voltaram à ilha, adquiriram um espaço e montaram o seu próprio atelier em Havana. Los Carpinteros ficaram conhecidos por uma obra que oscilava entre o público e o privado, a tradição e a vanguarda, o artesanal e o industrial, o transcendental e o efémero. Numa Cuba em plena crise após a queda do Muro, eles começaram a fabricar uma realidade alternativa. As obras que tinham desenhado em Cuba em aguarela – o seu trabalho quase sempre começa assim -, acabaram por conseguir realizá-las.

A ideia de Faro, 1997, é um dos temas mais constantes da sua obra, a metáfora por excelência do Vigilante, aquele que zela pela vida dos que estão sob a sua alçada. Nos anos 90, optavam por construir um farol portátil e de montagem rápida, semelhante a uma tenda, como a que vemos aqui. Mais tarde, seria transformado em cómoda de madeira, como negação da própria ideia de farol que emite luz e se transforma em escuridão, esgotando as possibilidades do farol como objeto. Os seus últimos faróis são faróis mentirosos, que já perderam sua função de guia e se tornaram a metáfora do farol cubano já caído.


José Ángel Torres
Licenciado em História da Arte pela Universidade de Sevilha (1987). Desde 1999 é conservador no Museu Extremenho e Iberoamericano de Arte Contemporânea (MEIAC), de Badajoz, onde é responsável pela coleção e pela coordenação de exposições.
Orientou as suas investigações para a arte contemporânea na Extremadura espanhola, com publicações sobre Francisco Antolín, Domingo Frades, Lourdes Murillo, Luis Feo, Alejandro Calderón, Luis Costillo ou Manuel Vilches, entre outros.
Como curador, destancam-se a exposição coletiva Extremadura: Último Tercio (1999-2000); Geografías, de Manuel Vilches (Don Benito, 2003) ou, mais recentemente, Luis Costillo. Fahrenheit (Badajoz, Évora, Lisboa, 1998-2021) ou Do outro lado. A coleção Ibero-americana do MEIAC (Évora, 2021-2022).