12-10-2019 > 12-04-2020

Centro de Arte e Cultura, Piso 1

Object
© Fundação Eugénio de Almeida | Jennifer Robertson (cortesia da artista / courtesy of the artist)

Boundless objects [Objetos sem limites]

Curadoria: Monika Bakke

De terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00 

Bilhete conjunto exposições: 2,00 € 

Entrada livre ao domingo e nos dias de atividades paralelas às exposições

 

O fenómeno da multiplicidade dos objetos está entre as nossas experiências mais comuns. No entanto, os objetos vistos como fluxos de matéria e energia tornam-se sem limites, enquanto manifestações ilimitadas de diversas forças, permitindo os resultados mais singulares. Com efeito, embora os objetos estejam em toda parte — emergindo e desintegrando-se a velocidades diferentes —, as suas complexas redes e emaranhados infindos não são fáceis de acompanhar. Portanto, a questão não é realmente o que eles são, mas o seu devir. Os objetos - vivos & não-vivos, reais & virtuais - nunca são completos, estáveis e inertes, eles surgem apenas em relações complexas e sempre dentro de contextos específicos, humanos e não-humanos. Eles não possuem identidades predeterminadas, mas transformam-se e transmutam-se, tornam-se rapidamente outros, tal como nós.

A exposição Boundless Objects [Objetos sem limites] situa-se na interseção da arte, da filosofia, da ciência e da tecnologia e tem como objetivo reunir as práticas de arte contemporânea que interrogam as diferentes dinâmicas em que os objetos emergem e se transmutam. A exposição baseia-se na abordagem atual da filosofia à matéria, enquanto realidade ativa e capaz de se auto-organizar. Com isto percebemos que a mudança e a ação já não são apenas associadas ao ser humano nem mesmo apenas ao vivo. Os objetos, tanto vivos como não-vivos, assim vistos como forças, conexões, intercâmbios, transformações e fluxos, tornam-se sem limites. Corpos de animais tornam-se corpos de árvores, líquidos tornam-se cristais, o corpo humano torna-se num conjunto de dados, a semente torna-se numa planta, uma larva torna-se numa mosca, objetos virtuais transitam para o mundo material, com a ajuda dos nossos corpos ou de impressoras 3D; objetos sólidos dissolvem-se, desintegram-se ou tornam-se flexíveis; podem invadir os espaços e assombrar-nos, avisar-nos, ou apenas fazerem, talvez, o que entenderem, independentemente dos nossos desejos ou expectativas. Eles afetam-nos tanto quanto nós os afetamos. 

Monika Bakke, curadora

 

Com obras de:

Ana Leonor Madeira Rodrigues, Ana Rewakowicz, André Sier, Erica Seccombe, Izabella Gustowska, Jennifer Robertson, Kathy High, Marek Wasilewski, Marta de Menezes, Nikolaus Gansterer, Piotr Bosacki e Renata Rosado.

 

Monika Bakke é Professora Associada no Departamento de Filosofia da Universidade Adam Mickiewicz, em Poznan, na Polónia. Escreve sobre arte e estética contemporâneas, com um foco particular nas perspetivas pós-humanista, transespécie e de género. É autora de Bio-transfigurations: Art and Aesthetics of Posthumanism (2010, em Polaco) e Open Body (2000, em Polaco), coautora de Pleroma: Art in Search of Fullness (1998), e editora de Australian Aboriginal Aesthetics (2004, em Polaco), Going Aerial: Air, Art, Architecture (2006) e The Life of Air: Dwelling, Communicating, Manipulating (2011). De 2001 a 2017, foi editora do jornal cultural polaco Czas Kultury [Tempo de Cultura]. Atualmente, a sua pesquisa está focada nas forças não-vida e em novas articulações da presença mineral em museus de arte contemporânea e de história natural.

Conheça o programa de atividades dos DIAS BOUNDLESS

 

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