29 DE JULHO | 21H30
Centro de Arte e Cultura - Jardim Tardoz
Foto-concerto
Entrada livre sujeita à lotação do espaço
Maiores de 6 anos
Peroguarda 58/59 - Alentejo
Fotografias de Luís Ferreira Alves
Música de RAIA (António Bexiga)
Um acaso feliz leva um grupo de jovens portuenses a descobrir a aldeia de Peroguarda, no Alentejo, nos anos de 1958-59. É a descoberta do cante, do trabalho e da pobreza. É a descoberta de um tempo profundo, da amizade incondicional e de um Alentejo sem igual. Luís Ferreira Alves fotografou Peroguarda sem procurar fazer reportagem ou trabalho de campo. Durante muito tempo repousando num arquivo, esquecidas, são hoje inestimável testemunho das emoções dessa jornada e dos laços de amizade que consolidou.
A música de RAIA, com António Bexiga a tocar viola campaniça — instrumento cuja sonoridades pertencem a um tempo antigo e são de hoje — conduz-nos de forma ritual e mágica nesta viagem a Peroguarda - Alentejo. É uma viagem no tempo, sim, mas não pode não ser uma viagem de hoje…
Raia é linha-fronteira, linha-caminho, expressão idiomática e forma verbal. Raia é peixe. O peixe-viola é uma raia.
Raia é o projeto-síntese de António Bexiga, que percorre as sonoridades da viola campaniça* nas suas fronteiras acústica e elétrica, analógica e digital, tradicional e experimental, ensaiada e instantânea, frequentemente em diálogo com outras formas de arte, visuais e de performance.
*A viola campaniça é uma das violas de arame portuguesas. Campaniça quer dizer ‘do campo’, das áreas rurais mas também da região campaniça (sul de Portugal, Alentejo).
Normalmente tem 5 cordas duplas (pode ter 12 cordas, sendo que 2 são triplas) e é tradicionalmente usada para acompanhar o cante típico da região Alentejo e ainda para tocar música para baile.
Este instrumento quase desapareceu nos anos 80 do Séc. XX, os [poucos] tocadores que existiam nessa altura eram idosos. Foi já no início dos anos 1990 que se deu uma grande ação de divulgação no Baixo Alentejo que permitiu formar novos tocadores ao longo dos anos. Hoje, felizmente, já há muitos músicos que tocam a viola como primeiro e único instrumento
António Bexiga [Tó-Zé Bexiga]: Viola campaniça, percussão e vozes.
Discografia: Homem de duas Cabeças (single), Ao Vivo (EP), Sem estrada para Fairland (RAIA & Xinês), REVODA (c/ Lenna Bahule e Dércio Gumate), Loendro (RAIA e Cardo Roxo).
Nasceu em Évora em 1976. Estudou piano e guitarra clássica, mais tarde guitarra jazz. Passou por vários projectos desde o rock à música experimental, fusão e música improvisada. Descobriu depois a música de raiz e o prazer de a virar do avesso. Há vários anos que se dedica à exploração de repertórios tradicionais e de um instrumento em particular: a viola campaniça, que tem colocado em diferentes contextos musicais, desde a música popular ao rock ou à música experimental e paisagem sonora. Tem vários trabalhos em cinema, teatro, dança contemporânea e teatro de marionetas. Faz oficinas regulares de viola campaniça, exploração sonora e criatividade musical. Foi membro ativo de projectos como Uxu Kalhus e No Mazurka Band; fundador de Há lobos sem ser na serra, Bicho do Mato, entre outros. Recentemente, gravou com Kepa Junkera para a Ath Thurda, Celina da Piedade, António Caixeiro, Cantadores de Paris, O Gajo, Omiri e Orfeão Sónico de Um Corpo Estranho e Satúrnia, European Ghosts, Mestre André, Dj Sims e Vgeta (O Céu do Pastor, identidade musical da candidatura Évora___27), Pablo Vidal, Puder Girl, e Lusitanian Ghosts.
É membro fundador da Cia Boa Companhia - teatro para todos. Participa em todos os espetáculos como músico e/ou ator.
É membro do grupo Lusitanian Ghosts desde 2021.
Fundou o projeto RAIA, solo mas frequentemente em diálogo com outras artes.
A sua viola campaniça já tocou em quase toda a Europa e em vários lugares da América, África e Ásia; a solo ou como parte integrante de coletivos sonoros, teatrais, de dança e marionetas.
