O Gesto de Fazer o Ninho: O Processo integra um projeto artístico e curatorial mais amplo desenvolvido com as artistas Ânia Pais e Carolina Batalha, que parte das práticas têxteis para investigar o fazer enquanto forma de conhecimento e pensamento, memória, transmissão e afirmação. Esta exposição centra-se numa das etapas desse percurso: a residência artística realizada na Cultivamos Cultura, em São Luís, onde o território foi lugar de abrigo para um processo construído através da amizade, da vulnerabilidade e da partilha. No centro desta experiência esteve a aproximação entre as duas artistas, duas mulheres com percursos e experiências distintas, e a intimidade construída entre ambas através do fazer e de um quotidiano partilhado, que atravessa profundamente os trabalhos desenvolvidos durante a residência.
Reunindo a experiência, a matéria e o trabalho, a exposição permite observar e viver parte de um processo de criação ainda em curso, tornando pública uma vivência que foi, na sua origem, profundamente íntima. O gesto de fazer o ninho surge como imagem e método: recolher, entrelaçar, repetir, experimentar, construir e desconstruir a partir do que está próximo. O que significa construir um ninho, uma casa ou um lugar ao qual se pertence?
A partir do fazer têxtil, o processo aproxima estas questões de outras profundamente humanas, cuidar e ser cuidada, criar laços, ao mesmo tempo que interroga o próprio ato de criar e as motivações que lhe dão origem. Partes deste percurso foram acompanhadas e filmadas por Francisco Miguel e Cecília Oliveira, que transformaram esses registos em peças de vídeo que atravessam a exposição e prolongam a narrativa do processo, dos gestos e dos encontros que lhe deram forma.
